LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Liberdade
Clarice de Assis Rosa
Ituiutaba/MG
Justamente hoje, que era dia de jogar tênis no clube com meus amigos,
Mara inventa de dar um jantar para família, em casa. Eu detestava reuniões
familiares e necessitava de, pelo menos quatro vezes por semana, estar com a
galera, tomar umas cervejas, jogar bola.
Mara e Célio nunca foram um casal perfeito, se é que existe algum, porém,
de uns tempos para cá, a relação deles começou a piorar, a desgastar-se.
Toleravam-se porque estavam acostumados um com o outro e o comodismo é
pior que o amor, esse sim faz com que as pessoas, mesmo infelizes, continuem
juntas.
Mara era infeliz, pois esperava atenção e reconhecimento por parte do
marido. Cuidava bem da casa, dos filhos e sempre mantinha as roupas de Célio
impecáveis. Fora criada dessa forma, acreditando que ao homem foi dada a
tarefa de trabalhar e colocar dinheiro em casa, à mulher a função de cuidar do
lar, do marido, dos filhos, mantendo tudo organizado, E apesar de aprender que
não deveria cobrar nada, já estava se cansando daquela vida, sentia-se muito só,
e se queixava da ingratidão do marido. Gostaria que ele a ajudasse nas tarefas
domésticas, quando pudesse, que desse mais atenção às crianças, e a levasse
para sair de vez em quando. Seu sentimento por ele estava abalado, mas sabia
que ainda o amava. Guardara as boas lembranças do começo do casamento, das
conquistas, dos longos diálogos. Lamentava-se tentando descobrir o porquê e
quando as coisas tinham mudado daquela forma.
Reconhecia que as coisas não mudaram inesperadamente, no entanto,
somente agora Mara disponha de tempo e sensatez para enxergar a realidade
como de fato era. Desde quando namoravam ele saía com os amigos, jogava
tênis, futebol, bebia, tinha suas saídas sem dar satisfações, embora não tão
frequentes. O fato é que ela acreditara que ele só agia assim por ser solteiro e
que depois tudo mudaria.
No início do casamento, Célio tentou ser como quando começaram a
namorar; saía sim, mas estava sempre disposto, conversava com ela antes:
-Não vou demorar, não tem nada de incomum sair com amigos, não posso
levá-la, pois lá só terá homens.
E discursava durante muito tempo, tentando fazê-la entender o que
considerava mais que normal, sobretudo, necessário.
Mara fingia entender, mas com o passar dos anos, as cobranças foram
aumentando e, cada vez mais, o marido demorava-se na rua, desejando ficar o
menor tempo possível em casa: “Mara mudou muito, como se não bastassem as
exigências, passou a andar muito desleixada” – Dizia Célio aos amigos.
Já não cuidava mais dos cabelos, das unhas e vinha engordando
consideravelmente,
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