Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 72

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 E assim você se foi. Foi para tão longe e meu coração sempre estava junto a ti, para te fazer lembrar que, onde quer que fosse meu amor sempre estaria contigo, de forma que, te alegrasse nos momentos de tristeza e te consolasse nos momentos de solidão, sendo o teu porto seguro e amparo necessário. Entretanto, os anos se passaram e meu peito gritava de dor e saudade. Longos foram os dias em que eu entrava no quarto e não desejava mais sair, pois meus olhos e meu coração choravam chamando por você e por sentir a tua falta. Com o passar do tempo não mantivemos mais o contato, não por falta de vontade minha, mas por você alegar falta de tempo. Com isso, os dias foram se tornando meses e os meses se tornando anos, anos incontáveis, inconsoláveis, indissolúveis e de eterno sofrimento. E assim, outra pessoa surgiu em minha vida, me trazendo muito respeito e carinho. Contudo, nada era igual ao que passamos, afinal de contas, ninguém é igual a ninguém. Em um determinado dia fui pega de surpresa com um lindo pedido de casamento que relutei em não aceitar, mas que, com a suposta certeza da sua permanência na Alemanha eu terminei aceitando. Em minha mente eu fazia diversas comparações, como por exemplo, do seu beijo e do dela, do seu toque e do dela, e por aí vai. Mas tudo ainda me fazia lembrar você, mesmo estando prestes a casar com ela. E chegou o dia do casamento. Muitos foram os convidados. Muitos foram os envolvidos. Muita foi a vontade de estar casando com você, mas em minha mente você nem lembrava mais de mim, já deveria estar com alguém, alguma alemã poderia ter te tirado de mim. Entre todos os meus segredos eu guardei o maior deles, o meu amor infinito por você, e poderia te falar sem nenhuma dúvida que “Você é o meu segredo mais oculto”. Tudo decorria muito bem, meu lar era repleto de paz, e meus filhos de 4 patas foram chegando para trazer mais alegria para a minha casa, e assim, cadelas, gatos, passarinhos e tartarugas foram chegando e cada um deles tinha seu respectivo nome. Eu buscava organizar a minha vida, o meu trabalho e o meu convívio em família, mas o principal me faltava, me faltava você. Assim, eu fui sendo reconhecida profissionalmente a cada dia, mais e mais clientes me procuravam, minha esposa também se destacava. E num determinado dia resolvemos adotar uma criança, desejávamos um filho e fomos em busca disso. E tempos depois tínhamos a nossa filha tão desejada, mas mesmo assim ainda continuava sentindo que faltava algo dentro de mim, que preenchesse o vazio que você deixou em meu peito e em minha vida. Tudo indicava que os nossos destinos não mais se cruzariam, não mais se pertenciam, não mais se buscavam. Entretanto, qual a razão de apesar de ter tudo eu ainda me sentir tão vazia por dentro? Qual o motivo de sempre faltar 69