Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 71

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 No início tudo foi muito fugaz, de repente parecia que já nos conhecíamos há anos, e quem sabe até de uma outra vida, e se isso for possível, tenho certeza que já nos pertencemos desde outras existências, pois a nossa sintonia desde o início foi perfeita, parecia até que os nossos olhos sabiam quando iriam se encontrar, se desejar e incrivelmente até quando imaginávamos as nossas vidas no futuro, pois imaginávamos que nosso sonho fosse perfeito. Mesmo com as nossas diferenças (e que não eram poucas), o nosso sonho, aliás, a nossa vontade, era envelhecermos juntas, e formarmos uma família repleta de amor, dedicação, carinho e respeito. Esse sonho, com o passar do tempo, indicava que iria se concretizar, pois nos amávamos. A primeira vez que ouvi você dizendo que me amava eu quase pulei de tanta felicidade, pois tive a certeza ao olhar no fundo dos teus olhos que aquele “Eu te amo” estava sendo dito para mim não por sua boca, mas pelas fibras mais íntimas do teu ser, o teu eu gritava para o meu o quanto você me amava, me queria, me desejava. E nesse instante eu me questionei se eu estava sonhando ou se tudo aquilo, se aquela explosão de sentimentos era real, pois o meu peito também transbordava de amor por você. E assim os dias foram passando. Nós vivíamos quase que 24 horas por dia em contato uma com a outra, fosse por mensagens, por ligações telefônicas ou encontros inesperados, pois dificilmente passávamos muito tempo sem nos encontrarmos. Nossa vontade de que cada instante em que estávamos juntos se transformasse em eternos momentos fazia com que todos eles fossem prazerosos e intensos, desejando que nosso amor se perpetuasse. Em um de nossos momentos, você me disse: - Precisamos conversar. Eu no mesmo instante me preocupei, pois você nunca havia falado com tamanha seriedade, mas de pronto fiquei atenta ao que você desejava falar, e mais que depressa falou: - Eu precisarei me ausentar por um tempo, pois acabei de receber o comunicado do meu mestrado na Alemanha, provavelmente me ausentarei por pouco mais de dois anos. No mesmo instante eu congelei de tanto desespero, sabia que você poderia ir para nunca mais voltar, sabia também do amor e dedicação que você tinha por sua carreira. Sempre me falava do sonho de seguir na carreira acadêmica e que isso era a sua vida. E quem era eu para tentar te fazer pensar de outra forma? Jamais tentaria te impedir de ir atrás do seu sonho, mesmo morrendo por dentro, mesmo meu peito gritando e implorando para você não ir, mesmo sabendo que poderia te perder, mas guardei toda minha angústia dentro de mim e te dei força para seguir adiante com o seu objetivo. 68