LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Ela não é uma criatura é uma criação
Maria Vitoria
São Paulo/SP
Essa mulher não é uma criatura,
É uma criação.
Os beijos dela estão trancados a ferrolho
Em meu miocárdio resistente
Como uma breve descrição da nossa arte.
Não se trata de um poema,
Diz respeito à mulher que ela é.
Uma mulher que eu aprecio,
Choro
Rio
Penso
Existo.
Não posso simplesmente abandonar
Todas as noites dedicadas ao embalo do sono dela.
Não posso simplesmente jogá-la fora
Como se a mesma fosse uma capa de vinil usado.
Afinal,
O que seria do meu mantra sem o eixo lúdico dela?
Fervo moléculas ionizadas em panelas de laboratórios clandestinos
Só para ver se a reação dos agentes
São conciliadores na redução de minha saudade.
Sim. Ela é a cura para qualquer doença terminal.
E eu poderia passar dias me mastigando
Só para não esquecer o gosto que as digitais dela
Deixaram em minha pele.
Loucura por loucura,
Quem nunca se travestiu por amor?
Todos os dias eu a pinto
Com meus pincéis invisíveis sem pontas,
E sempre chego a uma bela obra de arte no final do dia.
Ela é melhor do que qualquer miragem
Nas penumbras de um deserto hostil.
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