LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
retorno à Terra. Eu deveria perdoá-lo, ser mais amável e generoso com ele, não
priorizar "subir na vida", e sim relacionar-me bem com a família que me
acolhera, e quando estivesse trabalhando em sua empresa, eu é que o
aconselharia a se desapegar dos bens materiais e da necessidade de querer
controlar tudo. Você seria mais despojado, sóbrio, resignado, tranquilo e
equilibrado. Não teria nenhum problema sério de saúde como reação ao seu
modo inflexível e orgulhoso de pensar. Eu, se tivesse aprendido com a
experiência paterna, seria abstêmio, não teria sofrido um acidente por conta de
excesso de bebida. Viciei-me em represália aos familiares e abandonei-os pela
arrogância de achar que os havia superado com meu aparente sucesso
econômico. Tentei viver sempre o presente, mas de forma inconsequente.
-Mesmo fracassando nos seus objetivos, você ajudou muita gente - tentou
consolar o amigo.
-A Espiritualidade aproveitou as novas circunstâncias provocadas pela
mudança dos planos para que eu pudesse auxiliar o maior número de espíritos,
entre eles alguns desafetos. Foi um mal menor - resignou-se Eduardo.
-Trocamos os pés pelas mãos ? - perguntou Lúcio timidamente.
-Sim, falhamos novamente. A última experiência nos deu ilustração mas
não a iluminação.
Cientes de que havia muito o que aprender sobre si mesmos, encheram-se
de humildade e rumaram em direção à escola.
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