Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 151

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 e morria à noite, com o sol “Sou tão triste... !”. “És tão calma!” Ou quando cansada erguia os olhos impacientes e pressagiava nas asas de uma borboleta preta: “vê: é a minha vida que se vai” (Nem plenilúnios nem meus lábios coravam teu rosto E o linho que bordavas era extenso já marcado pelas estações) Desiderata eu que pensava que tu fosses eterna Até que te vestiram de renda e azul e foste calma para o chão Estavas verde como se circulasse musgo nas veias de vidro Eras sem destino desde o início O presságio do fim absoluto acontece em surdina: músculos desabrochando no ninho de pedras e vermes O Retorno O mofo tecendo nos cabelos a velhice que não houve Desiderata és uma lembrança. Mas nada permanecerá Minha fraqueza a negar tua força teu nome a desafiar o Tempo a suavidade das tardes a revelar a solene tristeza do teu rosto Poema integrante do livro Tríade (ISBN 978-85-98896-43-4) e Menção Honrosa no Concurso Helena Kolody 2007 – Secretaria de Cultura Governo do Paraná. 148