Revista LiteraLivre 14ª edição | страница 127

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 pequeno alguidar de cor verde alface, sendo acompanhada por incontáveis grãos de areia a fazerem lembrar prospecção de ouro que só deveria acontecer em longínquas paragens. Diversos insectos rastejantes foram encaminhados para distinta improvisada casa que apenas seria definitiva se eles assim o entendessem na vegetação abundante junto ao curso de água, incluindo duas lesmas que estariam por ali devido ao fresco que certamente as cativava mais que os trinta e muitos graus de temperatura diária. O alguidar não se cansou de tanta água encher e vazar logo de seguida, até que com pontual descuido não premeditado, escapou-se ele para a levada, com a corrente rapidamente navegando-o por um cano de um metro na sua altura, cilíndrico e passando por baixo do campo, quinze metros bem medidos uns minutos depois, até à sua extremidade na saída, uma leira por visual apreciação, apenas ligeiramente mais abaixo, contrariamente ao que era usual nos restantes campos da aldeia. Ainda se olhou para o prolongamento da levada, dentro do cano, mas lá ia ele, o alguidar sem hipóteses de ser alcançado, com segurança agarrando-o, obviamente para bem dele. Na precipitação seguinte por leira fora, abriu-se um portão, fechado para campos seguintes não receberem, supunha-se, visitas de esfomeados cavalos selvagens, os garranos, ou distintos animais de porte vistoso como bovinos, javalis ou raposas. A parte final do cano estava logo a seguir ao portão mas infelizmente o alguidar não saiu. Talvez no entretanto tivesse conseguido rapidez inimaginável, pelo que mais à frente se procurou por ele até se receber por conclusão que em determinado ponto, uma curva para campo outro uns vinte metros mais adiante, com pouca água e umas cinco pedras ele não poderia continuar, ficando ali retido. Mas não era o caso e, portanto, estaria preso algures debaixo do campo, como quem dizia ou pensava, dentro do cano. Foi-se espreitar para a saída mas pouco mais que nada se percebeu tal a escuridão existente a indicar procura urgente pela entrada onde ele desapareceu e, uma vez aí, conseguia-se avistá-lo quase na outra ponta, da claridade avistada relativamente perto, uns dois metros em cálculo de suposição. Talvez se tivesse sucesso puxando-o às escuras por intuição quanto ao seu paradeiro de improviso, esperava-se, com um pau de dois 124 metros e aproximadamente meio