LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
pequeno alguidar de cor verde alface, sendo acompanhada por incontáveis grãos
de areia a fazerem lembrar prospecção de ouro que só deveria acontecer em
longínquas paragens. Diversos insectos rastejantes foram encaminhados para
distinta
improvisada
casa
que
apenas
seria
definitiva
se
eles
assim
o
entendessem na vegetação abundante junto ao curso de água, incluindo duas
lesmas que estariam por ali devido ao fresco que certamente as cativava mais
que os trinta e muitos graus de temperatura diária. O alguidar não se cansou de
tanta água encher e vazar logo de seguida, até que com pontual descuido não
premeditado, escapou-se ele para a levada, com a corrente rapidamente
navegando-o por um cano de um metro na sua altura, cilíndrico e passando por
baixo do campo, quinze metros bem medidos uns minutos depois, até à sua
extremidade na saída, uma leira por visual apreciação, apenas ligeiramente mais
abaixo, contrariamente ao que era usual nos restantes campos da aldeia. Ainda
se olhou para o prolongamento da levada, dentro do cano, mas lá ia ele, o
alguidar
sem
hipóteses
de
ser
alcançado,
com
segurança
agarrando-o,
obviamente para bem dele. Na precipitação seguinte por leira fora, abriu-se um
portão, fechado para campos seguintes não receberem, supunha-se, visitas de
esfomeados cavalos selvagens, os garranos, ou distintos animais de porte vistoso
como bovinos, javalis ou raposas. A parte final do cano estava logo a seguir ao
portão mas infelizmente o alguidar não saiu. Talvez no entretanto tivesse
conseguido rapidez inimaginável, pelo que mais à frente se procurou por ele até
se receber por conclusão que em determinado ponto, uma curva para campo
outro uns vinte metros mais adiante, com pouca água e umas cinco pedras ele
não poderia continuar, ficando ali retido. Mas não era o caso e, portanto, estaria
preso algures debaixo do campo, como quem dizia ou pensava, dentro do cano.
Foi-se espreitar para a saída mas pouco mais que nada se percebeu tal a
escuridão existente a indicar procura urgente pela entrada onde ele desapareceu
e, uma vez aí, conseguia-se avistá-lo quase na outra ponta, da claridade avistada
relativamente perto, uns dois metros em cálculo de suposição. Talvez se tivesse
sucesso puxando-o às escuras por intuição quanto ao seu paradeiro de improviso,
esperava-se,
com
um
pau
de
dois
124
metros
e
aproximadamente
meio