LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Defnha, o pobre.
Gabriel Alencar
Boa Vista/RR
Dia 2.
Eu olho pra ele com carinho. Meu sorriso não está apenas nos meus lábios, está
nos meus olhos. Oh! Como eu deveria ter apreciado melhor cada momento em
que estive perto dele. Momentos preciosos que não voltam mais…
Dia 4.
Infelizmente vejo o começo do fim, eu já sei o que vai acontecer, eles já me
disseram. Limito-me a tentar aproveitar o pouco tempo que nos resta da melhor
forma possível.
Dia 5.
Hoje foi um dia difícil pra ele, percebo que foi muito afetado, não está mais o
mesmo de apenas há três dias. Eu tento descontrair, mas ele não tem mais
condições de ficar saindo. Prefere ficar em casa, aproveitar a tranquilidade, as
coisas simples da vida.
Dia 7.
Definha, o pobre. Mas eu olho pra trás e vejo que ele fez tudo que deveria ter
feito. É, pra isso eu tenho que tirar o chapéu: ele deu conta do recado.
Propunha-se a fazer algo? Cumpria. Fazia planos? Executava-os (na medida do
possível, claro). Ele deveria se orgulhar do tanto que conseguiu fazer (e quanta
coisa foi!), mesmo em sua condição.
Dia 10.
Hoje é o dia derradeiro. Oh! Mas foi tão rápido! Que triste agonia! A partir de
hoje ele terá apenas uma sobrevida… Eu o contemplo num misto de orgulhosa e
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