LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Verdadeiramente…
Diana Pinto
Portugal
O silêncio apoderou-se daquele lugar. O terror entrou por entre as veias das
personagens. O Bernardo foi descoberto. A Amélia viu tudo, ao longe, com
lágrimas nos olhos. A Leonor ficou surpreendida pela coragem de Adriana.
O silêncio permaneceu até ao toque, indicando o fim das aulas da faculdade. A
Adriana, a sorrir, agarrou o braço do Miguel e encaminhou-se para o portão da
escola. A Leonor sentou-se num degrau, enquanto via a dor de Adriana... Foi a
última vez que a viu.
Agora ela estava sentada no sofá da sala, sustentando a cabeça com a mão.
Adriana estava sentada à frente dela e tentava consolá-la.
– Precisas de continuar, Leonor!
– Não é a mesma coisa sem ela. Ela morreu!
– Ela não morreu. Lembras-te das coisas que faziam juntas? Essas lembranças
estão vivas dentro de ti.
Leonor olhava nos olhos da sua antiga amiga engolindo em seco. Ela nunca tinha
se sentido tão triste em toda a sua vida. É certo que errou, mas foi para construir
um futuro com Amélia. Leonor nunca teve qualquer relação com o Bernardo.
Bernardo foi apenas um dador. As duas queriam uma criança, queriam ser mães.
O Bernardo soube e voluntariou-se, mas Amélia não soube da decisão até
descobrir por Adriana. Leonor já estava grávida de dois meses.
A mentira pode matar. Leonor teve a certeza disso. Mas ela tinha agora uma
criança que seria a razão da vida dela e a maior prova de que Amélia continuava
ali, com ela.
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