LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
vezes, entre uma peça concluída e outra a ser iniciada, me pergunto onde vamos
parar se ninguém tiver a coragem de resolver isso? Mas eu preciso fazer justiça a
uma categoria de dentistas, os que se dedicam, à sua maneira, a difícil arte de
igualar sorrisos e assim puxam de um lado para outro, com os mais criativos
aparatos, dentes teimosos, que a despeito de seu próprio bem insistem em ser
diferentes. Estamos lado a lado nessa trincheira, sabe? Mas só eu lixo e pulo
caninos. Eles devem reconhecer isso! Lembro com saudades quando éramos mais
conscientes de nossa missão. Todos nós, dentistas, práticos e protéticos lado a
lado. O mundo era mais simples, arrancavam-se todos os dentes e pronto! Uma
boca novinha substituia a banguela! Dentes simétricos, entre si e com os do
vizinho! Nenhum dentista exaltado aparecia fazendo escândalo! É, o mundo hoje
está muito chato! Eram tempos bons que os modismos modernos, desvituados,
puseram fim. Malditos! Talvez possamos um dia retornar à antiga glória!
Imagina? Na rua a beleza em cada sorriso, ainda uma boca por vez, mas inteira,
sem ter que negociar com aquele farrapo de dente que sobra, que insiste em
querer ser ele mesmo... Maldito! Mas até lá, é trabalho duro! E cansa, sabe?
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