Revista LiteraLivre 13ª edição | Page 185

LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019 vezes, entre uma peça concluída e outra a ser iniciada, me pergunto onde vamos parar se ninguém tiver a coragem de resolver isso? Mas eu preciso fazer justiça a uma categoria de dentistas, os que se dedicam, à sua maneira, a difícil arte de igualar sorrisos e assim puxam de um lado para outro, com os mais criativos aparatos, dentes teimosos, que a despeito de seu próprio bem insistem em ser diferentes. Estamos lado a lado nessa trincheira, sabe? Mas só eu lixo e pulo caninos. Eles devem reconhecer isso! Lembro com saudades quando éramos mais conscientes de nossa missão. Todos nós, dentistas, práticos e protéticos lado a lado. O mundo era mais simples, arrancavam-se todos os dentes e pronto! Uma boca novinha substituia a banguela! Dentes simétricos, entre si e com os do vizinho! Nenhum dentista exaltado aparecia fazendo escândalo! É, o mundo hoje está muito chato! Eram tempos bons que os modismos modernos, desvituados, puseram fim. Malditos! Talvez possamos um dia retornar à antiga glória! Imagina? Na rua a beleza em cada sorriso, ainda uma boca por vez, mas inteira, sem ter que negociar com aquele farrapo de dente que sobra, que insiste em querer ser ele mesmo... Maldito! Mas até lá, é trabalho duro! E cansa, sabe? 181