LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
De vez em quando, você se lembra daquela menina de treze, na margem do
rio, com o cabelo curto coberto de areia, e a natureza circundante.
O jovem estrangeiro tocando violino, na esquina da rua, chama sua atenção.
Aquele jovem, quando era criança, recebeu um nome secreto, comprido e difícil
de pronunciar, que significa "a garça com pena branca", numa linguagem quase
esquecida. As lendas do seu povo falavam de tempos antigos, de uma rainha
mítica, mãe do primeiro chefe da aldeia, e de sereias mágicas com duas caudas,
saindo da água para oferecer aos homens o mal e o bem.
Sua imaginação volta para um pôr do sol às margens de um rio distante,
enquanto as sombras se tornavam mais escuras. Gatos pretos olhavam nas
sombras, à procura de presas. A água brilhava vermelha, enquanto o resto do
mundo ficava reduzido a linha pura e silhueta preta. É como se o tempo tivesse
parado. Você se sente flutuando na água, agitando-se em um arrepio de suor
frio.
"Você nunca sabe onde seu irmão mora, nem em que parte do mundo irá
encontrar seu filho".
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