LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Redenção
Carlos Jorge Azevedo
Santa Marinha do Zêzere- Baião- Portugal
Quantas vezes nos virámos do avesso
E fizemos da boca cobra cuspideira
Extravasámos, não o que nos ia na alma,
Mas o que o raio dos sentidos nos ditava
E sem eira nem beira
Fomos carpir no bar da esquina
Atrás de um monte de cervejas
Tal e qual o muro das lamentações
O turbilhão que nos assolava
Às vezes recordamos as memórias
Tristes memórias, que não disfarçamos,
De momentos de desfaçatez
Quem não passou por coisas assim
Quem nunca viveu no fio da navalha
E nesse fio desceu aos infernos
Desbaratou energias ao deus dará
Resolvemos expurgar
Os erros cometidos
Só que é tarefa vã
As marcas lá estão
Jamais se apagam e enodoam
A toalha branca, de linho, que construamos,
Enxugamos um ao outro
Lágrimas sentidas que brotam
No arrependimento que já vem tarde
E foi nessas catarses,
Que juramos redimir-nos
E a nossa vida, desde então,
Tem sido entrega eterna à redenção…
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