Revista LiteraLivre 13ª edição | Page 137

LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019 Poema Charles Burck Rio de Janeiro/RJ Arranca pena a pena como se a alma moldada aos vícios prepostos se alinhassem aos teus gozos não dados Como se a ave plena, dentro do peito se libertassem para os voos como se soubesse das dores maiores que nunca contastes Lastrei os teus pés no piso para que nunca caminhes locais sagrados onde as chagas manchariam o chão Pede o fogo apagado um carvão, as cinzas e pinta a cara e apaga os olhos à face escondida aos apelos de amor Dobra as vestes de perdidas vontade de ser nua e alivia o contraste entre a boca e as palavras que alongam para dentro os desejos quando a parte mais sentida pede para ser tocada Dê-se a todos os sentidos sem censura, pois a pureza concede mil desejos antes de cingir-se à imoral língua apregoada pelos santos, Lambe e se farta antes que o sonoro cansaço a convença que a música não presta, Mas saiba que dentro da presa a música boa é a da entrega quando não cabemos mais no desejo Lava a alma boa, a vida pregressa sem a pressa de se vestir, deixa a brisa brinca na tua boca atrevida, nas partes mais íntimas Deixa cada toque de vida te servir, pois a liberdade só vem depois cada desejo deixar de existir. 133