LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Peônias Brancas
Natália Oliveira
Bacabal/MA
O dia havia chegado, o vestido branco de longas mangas estava sobre a
cama, enquanto a mulher, imobilizada dentre os lençóis, era preparada por sua
mãe. Ao lado esquerdo da cama, lindas peônias brancas, suas favoritas. Ao lado
direito, o pai, o riso fraco, os olhos lacrimejados, aquele seria o dia em que sua
amada filha partiria de sua casa e do seu aconchego.
Dois toques na porta de madeira envelhecida: era hora de descer. Lá
embaixo, os parentes e amigos estavam a sua espera. Dentre todos, um rapaz,
vestido num terno preto, se destacava, em sua mão estava um ramo de flores,
afinal, todos ali presentes tinham consigo flores, peônias.
No meio da sala, ele a esperava, os olhos atentos em seu rosto, aquela face
pálida e sem muito brilho. A hora havia chegado, e todos se aproximaram um
pouco mais, formaram círculo em torno deles. Após o pai da mulher deitá-la
entre os lençóis brancos, o recipiente foi fechado, e as peônias, lindas peônias
brancas, postas sobre o caixão.
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