Revista LiteraLivre 13ª edição | Page 128

LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019 a água, deixando de ser ondas para formar um lago. Aos poucos, Ícaro foi mostrando quais eram os seus brinquedos. - Eu gosto de criar... Histórias. - Como assim? - Ah, de inventar, fazer de conta que esse é um outro lugar, outras pessoas... No silêncio das águas, a imaginação de Gustavo se aproximava. - Eu queria ser outra pessoa, às vezes. - Eu também. E foram. Naquele entardecer, Gustavo e Ícaro eram dois piratas, cavalheiros ou criaturas de superpoderes, perdidos em uma ilha deserta. Eles corriam dos perigos, lutavam com os inimigos, até toda a água secar na pele marcada de sol. Quando toda a luz se tornou laranja, os dois cansados sentaram com os pés na água infinita e dividiram silêncios. Acreditavam que havia um tesouro no fundo do mar, cada vez mais escuro pela noite que se aproximava. Só era possível alcançar o fundo com Ícaro, que descrevia todo o mergulho, trazendo a Gustavo as bolhas e conchas pela voz mansa. Deitados no piso morno, dois meninos enxergavam na piscina os enigmas de um oceano inteiro, desvendado em ondas azuis, vindas dos olhos de Ícaro. https://www.leonardojcamargo.wordpress.com/ 124