Revista LiteraLivre 13ª edição | Page 121

LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019 Abri a minha bolsa e comecei a contar o dinheiro antes que o ônibus passasse. Detestava ficar esperando o cobrador dar o troco, gosto das coisas de um jeito rápido: entrar no ônibus, pagar e sentar. Todavia, enquanto estava distraída e procurando o dinheiro, alguém passou a mão por detrás de mim, enfiou por dentro da minha blusa e começou a acariciar o meu seio e a sussurrar no meu ouvido: você estava procurando por mim, eu vim por você. Virei para trás e reconheci a figura imediatamente, era uma velha amiga. Tínhamos conversado várias vezes por cartas, por bebidas, pensamentos e barbitúricos. Mas eram sempre diálogos interrompidos, às vezes, cheios de silêncio, mas muito sentimento. Eu a beijei, peguei em sua cabeça e a beijei. Tirei a minha roupa, ela tirou a dela e fizemos amor loucamente, ali, no meio da rua. Mordi o lábio dela e lambi seu sangue quente. Pela primeira vez na minha vida não me importei com ninguém, como fulano ou sicrano se sentiria, nada, nem ninguém. Ela me deu o prazer, era amor genuíno, amor verdadeiro. Um amor que dói até o osso. Eu me encontrei quando me desencontrei. 117