Revista LiteraLivre 12ª edição | Page 166

LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018 Sentimento Ademir Moreno Aguilar São Caetano do Sul/SP Não dá para definir. Pode se apresentar de infinitas maneiras. Como um camaleão que muda de cor. Mas ele pode mudar muito mais que seu colorido. Altera sua intensidade, seu calor, e até sua direção, pois nos impulsiona para cima ou nos puxa para baixo. Chega de mansinho ou de repente, como uma explosão. Às vezes fica mais tempo do que desejaríamos. Ou escapa rapidinho antes que percebamos. Voluntarioso. Pode vir de dentro de nós mesmos, ou vir de fora. É possível transmiti-lo ou recebê-lo. Muitas vezes até contagia. Envolve as palavras que dizemos, os gestos que fazemos. Alguns conseguem escondê-lo, mas há outros que, pelo contrário, por mais que tentem, não conseguem ocultá-lo. Tem hora que ele fica alfinetando dentro da gente. Como uma pedra no sapato, pode parecer pouca coisa, mas atrapalha bastante. Há momentos em que ele nos massacra, como um rolo compressor ou uma serra elétrica. Dizem que não há muito o que fazer nestas ocasiões, apenas resistir e esperar que ele passe, como algo inevitável, que tem que acontecer, esvaziar, como um furacão que devasta e depois perde a força. Por outro lado, existem pessoas que possuem alguma habilidade especial para combater as suas ações negativas. São capazes de gerar, dentro de si, forças contrárias, positivas, que, de certa forma, anulam as negativas. Ele é tão variável, tão multifacetado... Pode surgir sutilmente, quando olhamos a lua gigante, amarelada, erguendo- se no começo da noite. Ou quando o suave calor do sol, ao entardecer, aquece 160