LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018
—Meu amigo o Santos é time pra ganha de qualquer time aqui ou fora do
Brasil, mas contra o juiz fica difícil...
Locutor - Parte o time inteiro do Santos pra cima do juiz e dos bandeirinhas,
o técnico do Santos está enlouquecido... começa a confusão... Empurra empurra,
xingamentos...
“Mas o que o locutor do campo não consegue ver e portanto não pode narrar
são as alterações dos ânimos de dois ouvintes que assim como a torcida no
campo começaram a se xingar e o saque de dois revólveres do coldre ao mesmo
tempo em sincronia e um barulho estrondoso rompendo o silêncio visceral dentro
do banco. Ambos sacaram ao mesmo tempo como um duelo de filme de velho
oeste, mas não teve o mais rápido, ambos acertaram seus alvos. Ambos estão
caídos, enquanto o sangue escorre pelo chão de mármore carrara, em cima da
mesa além dos maços de cigarros e a garrafa de café o rádio continua a sua
narração...”
Locutor - Ainda bem que acalmaram-se os ânimos por aqui. O goleiro bate o
tiro de meta e recomeça o jogo no estádio... o jogo promete, é esse é só o
começo do primeiro tempo meus amigos. Ainda tem muito chão pela frente. Esse
campeonato promete, mas promete mesmo quem viver verá...
“Meu Deus o que eu fiz? O que fizemos? Minha mulher, nega. Meus filhos,
meu Deus meus filhos, e agora o que será deles?...”
“Meu Deus o que eu fiz? Como pude deixar isso acontecer? Meu Deus me
ajuda senhor perdemos a cabeça...”
Dia seguinte...
Caderno policial:
Vigilantes de banco se matam enquanto ouviam Santos e Corinthians
deixando viúvas e filhos órfãos para trás...
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