Revista LiteraLivre 12ª edição | Page 164

LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018 —Meu amigo o Santos é time pra ganha de qualquer time aqui ou fora do Brasil, mas contra o juiz fica difícil... Locutor - Parte o time inteiro do Santos pra cima do juiz e dos bandeirinhas, o técnico do Santos está enlouquecido... começa a confusão... Empurra empurra, xingamentos... “Mas o que o locutor do campo não consegue ver e portanto não pode narrar são as alterações dos ânimos de dois ouvintes que assim como a torcida no campo começaram a se xingar e o saque de dois revólveres do coldre ao mesmo tempo em sincronia e um barulho estrondoso rompendo o silêncio visceral dentro do banco. Ambos sacaram ao mesmo tempo como um duelo de filme de velho oeste, mas não teve o mais rápido, ambos acertaram seus alvos. Ambos estão caídos, enquanto o sangue escorre pelo chão de mármore carrara, em cima da mesa além dos maços de cigarros e a garrafa de café o rádio continua a sua narração...” Locutor - Ainda bem que acalmaram-se os ânimos por aqui. O goleiro bate o tiro de meta e recomeça o jogo no estádio... o jogo promete, é esse é só o começo do primeiro tempo meus amigos. Ainda tem muito chão pela frente. Esse campeonato promete, mas promete mesmo quem viver verá... “Meu Deus o que eu fiz? O que fizemos? Minha mulher, nega. Meus filhos, meu Deus meus filhos, e agora o que será deles?...” “Meu Deus o que eu fiz? Como pude deixar isso acontecer? Meu Deus me ajuda senhor perdemos a cabeça...” Dia seguinte... Caderno policial: Vigilantes de banco se matam enquanto ouviam Santos e Corinthians deixando viúvas e filhos órfãos para trás... https://rmbsrock.blogspot.com/2018/10/conto-sangue-alvinegro-j-marcos-b.html?fbclid=IwAR3n9kauW2UExcoL- 5H6M69a_hohHEaSFL_j7RgYJoasMdCiapTlKIzgs-Y 158