Revista LiteraLivre 12ª edição | Page 163

LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018 —Ela não é só mulher, ela é mulher e companheira, mesmo. Eu amo a minha mulher. Locutor – Todos aposto, vai começar o primeiro tempo no Pacaembu... “Sim todos aposto, café, maço de cigarros, cinzeiros, bandeirinhas, torcedores, juiz... sim todos aposto, sim. cai a noite na cidade e daqui a 95 minutos vamos saber quem foi o vencedor de mais uma disputa entre Santos e Corinthians.” —Espero que o juiz não meta a mão no "peixe" de novo, dessa vez. —Que nada. Quando o jogo foi aqui em baixo o juiz meteu a mão na gente só por isso foi zero a zero. —É. Só que hoje não tem zero a zero não, se tiver vai pros pênaltis. Locutor – Apita o começo do jogo... Rola a bola no gramado... “Após degustarem um café bem quentinho e gostoso ambos acendem seus respectivos cigarros ao mesmo tempo em uma perfeita sincronia como em um show, como que tivessem ensaiado antes ou mesmo muito bem combinado. Ninguém fala, o silêncio só é quebrado pela a voz do locutor que narra a disputa, dá pra se escutar o fumo do cigarro queimando a cada tragada pelas bocas e pulmões ansiosos desses dois torcedores anônimos, de tanto que é o silêncio. Nada se mexe apenas a fumaça que saem dos cigarros ardendo em chamas fazendo piruetas, ziguezagueando no ar. Da pra se escutar os corações palpitando de ansiedade de ambos. Locutor – A disputa é acirrada, ambas as torcidas em campo, nas arquibancadas pressionam seus times... poucos minutos do primeiro tempo... chuta de fora da área uma bola no ângulo, é goooooollll do... Não valeu tá dizendo o juiz, o juiz tá dizendo que, que a bola não entrou... Metade da arquibancada aqui grita gol assim como eu, mas o juiz e os bandeirinhas não viram a bola entrar! E não dá o gol para... —Pronto começou a roubalheira! Não tem time do mundo que consiga ganhar assim. —Eu que o diga por que aqui embaixo nós se ferramos. 157