LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018
—Ela não é só mulher, ela é mulher e companheira, mesmo. Eu amo a minha
mulher.
Locutor – Todos aposto, vai começar o primeiro tempo no Pacaembu...
“Sim
todos
aposto,
café,
maço
de
cigarros,
cinzeiros,
bandeirinhas,
torcedores, juiz... sim todos aposto, sim. cai a noite na cidade e daqui a 95
minutos vamos saber quem foi o vencedor de mais uma disputa entre Santos e
Corinthians.”
—Espero que o juiz não meta a mão no "peixe" de novo, dessa vez.
—Que nada. Quando o jogo foi aqui em baixo o juiz meteu a mão na gente
só por isso foi zero a zero.
—É. Só que hoje não tem zero a zero não, se tiver vai pros pênaltis.
Locutor – Apita o começo do jogo... Rola a bola no gramado...
“Após degustarem um café bem quentinho e gostoso ambos acendem seus
respectivos cigarros ao mesmo tempo em uma perfeita sincronia como em um
show, como que tivessem ensaiado antes ou mesmo muito bem combinado.
Ninguém fala, o silêncio só é quebrado pela a voz do locutor que narra a disputa,
dá pra se escutar o fumo do cigarro queimando a cada tragada pelas bocas e
pulmões ansiosos desses dois torcedores anônimos, de tanto que é o silêncio.
Nada se mexe apenas a fumaça que saem dos cigarros ardendo em chamas
fazendo piruetas, ziguezagueando no ar. Da pra se escutar os corações
palpitando de ansiedade de ambos.
Locutor – A disputa é acirrada, ambas as torcidas em campo, nas
arquibancadas pressionam seus times... poucos minutos do primeiro tempo...
chuta de fora da área uma bola no ângulo, é goooooollll do... Não valeu tá
dizendo o juiz, o juiz tá dizendo que, que a bola não entrou... Metade da
arquibancada aqui grita gol assim como eu, mas o juiz e os bandeirinhas não
viram a bola entrar! E não dá o gol para...
—Pronto começou a roubalheira! Não tem time do mundo que consiga
ganhar assim.
—Eu que o diga por que aqui embaixo nós se ferramos.
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