LiteraLivre Vl. 2 - nº 12 – Nov./Dez. de 2018
Salvando as Borboletas
Isabel C S Vargas
Pelotas/RS
Quando pequena, apesar de morar bem no centro da cidade, minha casa
ficava localizada em um terreno grande.
Havia um muro alto na frente, com um portão e dentro, duas casas, uma na
frente, separada da que ficava ao fundo, por uma cerca de madeira pintada de
branco. Grama, muita grama bem verdinha por tudo. Havia árvores frutíferas
junto às casas e flores.
Creio que tudo isso fazia com que borboletas aparecessem e eu, por incrível
que possa parecer, morria de medo delas. Sim, medo, porque não eram
borboletas pequenas eram umas borboletas enormes, pretas com laranja, lilás,
amarelas. Quando elas apareciam eu corria de um lado para outro como se elas
quisessem me pegar. Coisas de criança! Nem sei se elas eram tão grandes assim,
mas naquela idade, para mim eram. Como ninguém me explicou em tempo hábil
que borboletas são inofensivas e servem para alegrar os olhos, ao invés de ficar
feliz e encantada eu fugia.
Com o entendimento, passei a amar borboletas. Suas cores me extasiavam e
o medo ficou distante.
Morando na praia, com grama, árvores, flores, frutas, pássaros soltos, cães e
gatos visitantes também recebo muitas borboletas visitando meu quintal. E eu
amo. Aparecem muitas em dupla, desde as branquinhas, amarelinhas que eu
julgo serem borboletas adolescentes pelo tamanho e fragilidade, até as maiores.
Certo dia, encontrei uma borboleta machucada, com uma das asas meio
torta.
Antes que os cachorros pudessem apanhá-la coloquei minha mão junto dela
e ela subiu.
Fiquei algum tempo observando-a e vi que na realidade sua asa não estava
partida. Creio que uma batida a fizera cair ao chão. Soltei-a junto de uma planta
154