Revista Febase 86 - Outubro 2018 Revista Febase 86 | Page 27

NOTÍCIAS SBSI BANCÁRIOS DO SUL E ILHAS Contratações externas Sindicatos apresentam críticas ao BCE A eventual contratação de consultores externos não agradou aos representantes sindicais dos bancos centrais europeus Texto | Inês F. Neto N o quadro do Diálogo Social do SEBC/ SSM, reuniram-se em Frankfur t, em junho, representantes sindicais dos Bancos Centrais Nacionais e quadros di- rigentes do BCE. Portugal esteve repre- sentado por Amália Varela e Elizabeth Barreiros, membros da Comissão Sindical do SBSI no Banco de Portugal. A sessão de abertura da 41.ª reunião es- teve a cargo da presidente do Conselho de Supervisão do Mecanismo Único de Supervisão (MUS). No seu discurso, Danièle Nouy traçou um cenário de evo- lução do sistema, tendo colocado a tónica na digitalização, que considerou o princi- pal desafio do setor. Foram ainda referidas, muito breve- mente, questões como a finalização da reforma de Basileia III, muito particular- mente no que se refere às revisões no cál- culo do risco de crédito. Foi reconhecida a sobrecarga de tra- balho e os elevados níveis de respon- sabilização durante os quatro anos de implementação do MUS, o qual tem tido uma evolução positiva. Agora é necessário simplificar procedi- mentos, de forma a concretizar as quatro prioridades a nível da supervisão: renta- bilidade, gestão dos riscos de crédito e operacional, testes de stresse da EBA e preparação do Brexit. CONFLITO DE INTERESSES Já Fernando Garces, vice-presidente do Standing Committee (SCECBU), apontou algumas situações que, no entender dos sindicatos, poderão resultar em cenários de conflito de interesses, nomeadamente no que se refere à contratação de consul- tores externos. Segundo o responsável, existe o risco de os consultores externos atuarem em favor dos bancos e não do MUS, pois muitos deles são recrutados a partir de empresas privadas. Por outro lado, os representantes sindi- cais consideram que, havendo perto de 55 mil inspetores que integram os quadros dos bancos centrais, não haverá necessi- dade de contratar externamente. A estas questões, o BCE respondeu que os procedimentos têm evoluído positivamente e que a ideia será utilizar os recursos huma- nos internos, recorrendo a pessoal externo apenas nas tarefas que necessitam de expe- riências muito específicas. GESTÃO DE CRISES O BCE definiu um quadro para a gestão de crises, mas um novo relatório publicado pelo Tribunal de Contas Europeu (ECA) con- tinua a apontar algumas falhas no processo. O BCE não se defendeu perante a im- prensa, tendo em conta que o ECA pos- sui competências a nível operacional, mas não político. O BCE informou os representantes sin- dicais de que têm sido feitos esforços sig- nificativos no sentido de colmatar alguns dos problemas relacionados com a logís- tica das deslocações. As federações sindicais presentes ex- pressaram a sua satisfação por esta evolu- ção positiva. No entanto, sublinharam que é impor- tante reduzir o tempo de reembolso das despesas efetuadas pelos trabalhadores durante as inspeções. w FEBASE | outubro | 2018 – 27