Revista Escola Domingos Magarinos 2015/1 | Seite 15
PNEM / SISMÉDIO
EEB DOMINGOS MAGARINOS
“O Enigma de Kaspar Hauser”
Kaspar Hauser foi um menino criado
sozinho, sem contato humano. Uma pessoa
levava seu alimento durante a noite
enquanto dormia, não conhecia o mundo
exterior para que pudesse ter influência em
seu comportamento. Não sabia andar nem
ficar em pé. Pela falta de interação com
outros humanos não sabia falar, o que
demonstra que as nossas ações e
pensamentos são socialmente construídas
e que o meio e a interação com o outro
definem nosso comportamento.
Um ser humano privado do convívio social
não aprende a se comportar como tal, age
apenas por instinto, ele comia o alimento
deixado, por instinto. Sua privação social
não permitiu o desenvolvimento da
linguagem e trouxe graves consequências
em sua formação como sujeito, como
indivíduo. Ao ser retirado do cativeiro e
deixado na rua, após ter aprendido a repetir
algumas palavras, Kaspar é acolhido por um
professor que procura ajudá-lo, iniciando seu
processo de socialização, mas ele não
entendia nada, apenas repetia as palavras,
sem que tivesse nenhum sentido para ele.
Estava passando por um processo de
aprendizagem,
recebendo
muitas
informações que não conseguia assimilar,
pois seu cérebro funcionava como o de uma
criança e ele não havia passado pelo
processo de aprendizado e socialização
necessários.
Já com a linguagem desenvolvida,
continuava reagindo com espanto frente à
paisagem e as pessoas. A única palavra que
tinha algum significado para ele era cavalo,
pois no cativeiro tinha um cavalinho de
madeira que o distraia. Percebe-se
claramente que a aprendizagem não ocorre
sem um significado, as palavras eram
decoradas, aprendidas por ele, mas sem
significado, sua condição de passar a vida,
até os dezesseis anos, no cativeiro não
permitiu o desenvolvimento da imaginação e
a apropriação dos significados e cultura
necessárias para que ocorra o processo de
aprendizagem.
Por fim, além de ter tido um destino infeliz
ao ser abandonado naquele cativeiro e
privado de um crescimento saudável, quando
retirado de lá foi tão rejeitado que dizia
preferir sua vida no cativeiro. A exclusão e
rejeição foram tão grandes que acabou
sendo assassinado. Esse filme mostra que o
ser humano precisa do contato com o outro
e que sem ele não se desenvolve plenamente,
devemos ter cuidado que nossos alunos não
recebam
muitas
informações
sem
significados. Para a aprendizagem é
necessário que exista significado senão
ocorre apenas a “aprendizagem” de coisas
que nada significam e não contribuem para o
crescimento pessoal, intelectual e cultural
que todos têm direito.
Professora Liamara Aparecida Rotta