REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 53
Foto: Lucas Campos
ck paulista
ca o fez mudar de profissão: começou DJ, criou a mais
çou vinis, e se intitula traficante de drogas musicais
guardá-la, porque na Baratos Afins não estava cabendo. Tinha disco
até debaixo da cama! Hoje, ele contabiliza uns 55.000 títulos digitali-
zados, 110.000 peças de vinil e 35.000 CDs, os quais, com o passar do
tempo, teve de se render e vender no formato que odiava. Mas sem
deixar de preferir os vinis.
Nessa tocada de amar discos, não deixou de ter seu próprio selo,
que leva o mesmo nome da loja, e foi lançado em 1981. O álbum de
estreia foi o Singin’ Alone, de Arnaldo Baptista (ex-integrante dos Mu-
tantes). E tudo foi por acaso, aprendendo sozinho a mexer com som,
fuçar e abrir. “Na verdade, ele que me procurou para fazer o disco,
antes eu pensava em fazer umas reedições, porque a gente não tinha
10 dicos míticos da
música brasileira por Luiz Calanca
Fotos: Divulgação
Calanca e o primeiro vinil produzido por
ele: Singin’ Alone, de Arnaldo Baptista
disco no mercado, não pensava
em cópias inéditas e exclusivas.
Depois que virei um selo não vi
mais sentido em parar. Comecei
e me envolver cada vez mais e
estou aí até hoje”.
Além dos inéditos de nomes
como Marcelo Nova, Sergei e
Ratos de Porão, ele também re-
editou Mutantes, Tom Zé, Valter
Franco, O Terço, Bicho da Seda,
Secos e Molhados, Fagner e mui-
tos outros. São 104 álbuns de vinil
e 85 CDs, além de produzir uns 15
ou 20 para outros selos.
Hoje, é difícil manter um artis-
ta na gravadora, porque o suces-
so é efêmero e o que faz sucesso
não o agrada. A loja continua
viva graças aos vinis, que recebem
uma grande procura. Em pleno
século XXI, na Era Digital, Calan-
ca é considerado um bravo solda-
do que resiste à guerra. “Isso virou
lixo. Está tudo obsoleto. A gente
está aqui de teimoso”, conta.
Isso reflete nos funcionários.
Antes, a loja contava com 17 de-
les. Hoje em dia, depende da
família e principalmente de Vic-
toria, que cuida da parte admi-
nistrativa e da razão pela qual
a loja começou, a filha Carolina,
que desenvolve a parte de infor-
mática. O ex-farmacêutico ainda
é a alma de tudo. “Eu sou trafi-
cante de drogas musicais”, define
Calanca, que trocou as drogas
de farmácia para vender a cura
através da música.
1- Singin’ Alone - Arnaldo Baptista (1981)
2- Lóki? - Arnaldo Baptista (1974)
3- Mutantes - Mutantes (1969)
4- Transa - Caetano Veloso (1972)
5- Expresso 2222 - Gilberto Gil (1972)
6- A Página do Relâmpago Elétrico - Beto Guedes (1977)
7- Revolver - Walter Franco (1975)
8- Todos os Olhos - Tom Zé (1973)
9- Quero Botar meu Bloco na Rua - Sérgio Sampaio (1973)
10- Tem que Acontecer - Sérgio Sampaio (1976)
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