REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 52

PERFIL U m homem movido por uma paixão: discos, e uma profissão que nada tinha a ver com isso: era farmacêutico. Boa parte do que ganhava, era gasto em discos. Fazia bailinhos de fins de sema- na, com direito a luzes, vitrola e tudo mais. Nesse meio tempo, acumulou uma boa quantidade de vinis. Casado, recebeu a notí- cia de que a mulher, Victoria, es- tava grávida de Carolina. Como sempre fala, a grana era curta, “só tinha um jaleco ras- gado, um sapato furado e mui- tos discos”. Então, teve a ideia de vender os mais valiosos. Vendeu tantos que arrematou 8 mil cru- zeiros na década de 70. Daí, veio o estalo: por que não criar sua própria loja? E dessa ideia, o vi- sionário Luiz Calanca, de 65 anos, nascido em Flórida Paulista, 600 quilômetros a noroeste, quase na fronteira com Mato Grosso do Sul, abriu no dia 24 de maio de 1978 a loja “Baratos Afins”, o mí- tico ponto dos vinis de São Paulo. Quando Calanca chegou na Galeria do Rock, ela era um centro comercial como outro qualquer, que com os anos, foi se enchendo do som, da energia e da rebeldia do ritmo. Naque- la época, Calanca conseguiu as lojas 314 a 318 praticamente de graça, em troca de alguns discos do Roberto Carlos. Ícone do ro Luiz Calanca era farmacêutico, mas o amor pela músi- roqueira loja de discos de São Paulo, um selo que lan- Com o primeiro Rock in Rio, em 1985, e posteriormente com o ad- vento do CD nos anos 90, a loja, bem como toda a galeria, teve um estouro. Mas Calanca é diferente da maioria: ele odeia CD. Odeia mesmo. “Naquela época eu virei o palhaço, macaco velho, porque eu nunca gostei do som do CD, do formato. Eu fazia umas camisetas para zoar os amigos que estavam encantados. E eles usavam os discos pra trocar por CDs. Peguei muitas coleções de pessoas que estavam encantadas com o novo formato e não queriam mais os discos”. E foi aí que a coleção de discos foi crescendo. E cresceu tanto que precisou comprar um apartamento só para A loja Baratos Afins continua sendo um marco da cidade e resiste com suas centenas de vinis, alguns cassetes, CDs, e muita história para contar Foto: Mariana Simões Foto: Lucas Campos