REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 43
da de reconhecimento nacional. Chegando com
seu baixo para a passagem de som, ela deixou o
instrumento perto do amplificador para beber
água. Voltou, montou tudo e começou a tocar.
Foi aí que o técnico de monitor, surpreso, veio
com essa “pérola”. “Ele veio para mim e falou
assim: ‘Nossa, então você é a baixista mesmo? Eu
pensei que você era namorada do baixista e ele
é um folgado que ainda te fez carregar o instru-
mento’ Aí eu fiquei pensando assim: ‘Olha a via-
gem do cara, a história que ele imaginou só para
não pensar que eu era da banda”.
Ana Paula Lessagio quase foi impedida de ficar
no camarim da sua própria banda. Um dos segu-
ranças jurava de pé junto que ela era acompanhante
e não deveria estar com a pulseirinha de identificação,
exclusiva do pessoal da banda. Mesmo que ela e os in-
tegrantes insistissem que ela fazia parte, ele continuou di-
ficultando. Ele só acreditou e parou de pegar no pé depois
que ela subiu no palco e começou a cantar. Voltando no tó-
pico: as mulheres precisam sempre provar o que estão dizendo.
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Uma caixinha dentro de outra caixinha
Mulher só pode cantar música de mulher, certo? Errado! Para as
integrantes da banda Timeless isso é ainda mais gritante. Só porque
são três mulheres à frente do grupo, o público acha que elas têm que
tocar artistas que eles julgam “coisa de menina”, como pop. Mesmo
que esse não seja o estilo musical da banda.
Ana Paula faz um outro desabafo: “só porque a gente é mina, a gen-
te tem que cantar Paramore [banda norte-americana cuja vocalista é
uma mulher, Hayley Williams] e Pitty. A gente não pode cantar o que
a gente quer. Se a gente for cantar um System of a Down ou outro boy,
‘nossa, mas você é mina, você tem que cantar Pitty, você tem que cantar
Paramore’. Não, eu não sou obrigada!”. E não deveria ser mesmo.
Mas esse é um novo tópico. Parece que o rock feminino é um outro
estilo. Por que que elas não podem ter o selo do rock? Música tem
gênero? Essas foram perguntas feitas pelas entrevistadas. É claro que
a resposta deveria ser que podem e que não, não há gênero. Porém,
infelizmente, não é isso que acontece na prática.
“Você é a melhor baixista mulher que eu já vi” foi um dos “elogios” que
Helena Papini recebeu. Mas ela não se calou, revidou e explicou para
ele que esse era um elo-
gio errado. Afinal, nessa
frase ele estava catego-
[...] quando a gente vê uma
mina no palco, a gente se
identifica e fica com mais
força de querer fazer aquilo
Yasmin Cruz
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