REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 42

Essas sete fortes mulheres são o retrato da resistência do rock nacional, contra o machismo e a segregação " V ocês acham que uma banda de homens é mais respeitada do que uma banda de mu- lheres?”. Foi com essa pergunta que se iniciou uma tarde de conversa na casa de shows Are- na Club, em Santos, sobre o papel da mulher no cenário roqueiro nacional. E a resposta veio em forma de uníssono: “sim”. Nenhuma, entre as sete presentes, acreditava que o ma- chismo já foi abolido do mundo da música. Helena Papini, baixista da Urbana Legion e da Bula e baixis- ta e vocalista da Triácida; Jéssica Henriques, violinista da Vibehouse; Ana Paula Lessagio, vocalista da Walkman; Yasmin Cruz, vocalista da Gattai e Isis Tomaz, Amanda Scrat e Iracema Almeida, integrantes da banda Timeless entendem que um dos pontos mais gritantes para essa diferença entre homens e mulheres é a constante necessidade de provar que são boas. A todo momento, diante de todo tipo de pla- teia, elas precisam provar que conhecem de rock. Mas, vamos combi- nar, um homem não é tão questionado quanto uma mulher quando decide tocar, ou só ouvir, rock. Afinal, como Iracema Almeida disse, “ele tem o direito de gostar do que ele quiser”. E tem mais. Conhece o tal do mansplaining? Não? Então a Yasmin Cruz deu um exemplo perfeito sobre esse modo de expressar o machis- mo, tão comum e inerente à nossa sociedade. Olha só: “Se você gosta de heavy metal ou de grunge, aí vem um cara que fala: ‘ah, você gosta? Mas eu tenho que te ensinar que não é assim que a banda toca. Você tem que gostar disso por causa disso e disso’ e começa a te ensinar”. Sim, é isso mesmo. Por mais que você tenha passado anos escutando rock, tenha uma banda desse ritmo e seja fã de artistas do segmento, muitos homens vão achar que você não sabe o suficiente e têm a ne- cessidade de explicar como funcionam as coisas. E para quê? Bom, para mostrar que é superior às mulheres, afinal, como uma mulher vai saber mais ou tanto quanto ele sobre rock? Não pode, né? Opa, pode sim! Deixa ela tocar, cara! Se os homens têm dificuldade em aceitar que as mulheres podem en- tender de rock, imagina pensar que sabem tocar e fazem parte de bandas. As entrevistadas contaram casos que são até difíceis de acreditar. Jéssica Henriques faz parte de uma banda de black music. Após seu primeiro show com os integrantes – todos homens – o dono da casa os chamou para uma foto. “Então, dá licença! É só o pessoal da banda”, disse ele. Ele achou que ela era namorada de um deles. Mas, pasmem, ela tinha ficado uma hora e meia tocando em cima do palco. Helena Papini tem sua própria história de “mas você não namora alguém da banda?”. Ela é baixista e hoje integra o elenco da Bula, ban- 42 EQUALIZE Foto: Mariana Simões Foto: xxxxxx