REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 29
do cada vez menos culto. O rock
pegou força nos anos 80 porque
as bandas tinham conteúdo, ba-
tiam de frente com a ditadura e
isso foi ganhando força, as ban-
das de rock eram porta-vozes
disso. Nos anos 90, a mesma coi-
sa. A gente veio na contestação
dessa proliferação da mídia de
massa e do “emburrecimento”
geral do povo. A classe A, B e até
a C tinham um senso crítico me-
lhor com relação à cultura e crí-
tica em geral da situação que a
gente vive. Hoje não.
Phil: Existe a música que é para
a galera dançar e existe a música
como mensagem, como postura.
O rock sempre buscou por isso e
foi perdendo espaço. Porque as
pessoas não querem trocar ideia.
Elas são de um jeito e elas com-
batem o que é diferente. E ao
mesmo tempo tem essa coisa da
cultura. A pessoa tem condição,
mas frequenta um nível pobre de
Agora junto com o Phil (guitar- cultura, ela não soma.
rista), por que vocês acham que Badauí: Estamos generalizando,
lógico. Mas 90% do país é assim. Só
o rock perdeu espaço na mídia?
Badauí: Porque o país está fican- que vai chegar um dia que, para
Você acredita em uma volta do
rock às paradas de sucesso?
Não, esquece! Acredito que possa
ter um crescimento na internet.
Mas, esquece televisão. Só um mi-
lagre, com um investimento pe-
sado em educação e cultura. Por-
que a gente não vê investimento
em cultura nesse país. Você só vê
artistas de plástico, todos iguais,
que são criados da noite para o
dia. As novas bandas, a moleca-
da, começou a montar banda fo-
cando na internet, sabendo que
esse é o caminho, que esquece
gravadora e produtor. Esses “tu-
barões”, “medalhões” que já estão
no mercado há muito tempo, já
fuderam a vida de muita gente.
Cansaram de esperar esses caras
se interessarem pela música de-
les e estão fazendo por si. Como
tem que ser, né? Que é o lema de
onde a gente veio, né meu? Não
esperar nada de ninguém!
"
quem acredita em religião, eu
não acredito, mas para fazer uma
comparação, vai ter o juízo final
da cultura no mundo e no país.
Vai chegar o momento em que as
pessoas burras vão ficar para trás.
As pessoas que não se abastece-
rem de cultura vão ter uma vida
de merda, vão se matar, ter uma
vida ociosa. Porque não tem ideia
para trocar.
O título do último CD de vocês,
Suor e Sacrifício, está dentro
dessa pegada de resistência?
Badauí: Foi uma expressão extra-
ída de uma frase da música Con-
ta Comigo, que está no disco, que
tinha realmente a ver com o mo-
mento que é você ter uma banda
de rock no Brasil. Você tem que se
sacrificar meu, tem que ter outras
atividades, tem que engolir sapo,
tem que passar perrengue. Vai
ser sempre assim. É que eu estou
falando de um modo geral, não
me entenda mal. Porque o CPM
tem uma condição. Mas, mesmo
assim, não é simples como imagi-
nam, sabe? Tipo, se a gente fosse
Badauí e Phil dividem o palco desde 2013 com os outros três integrantes do CPM 22
[...] existe a
música como
mensagem, como
postura. O rock
sempre buscou por
isso e foi
perdendo espaço
Phil
"
Foto: Lucas Campos