REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 20

Qualidade x Gosto Foto: Divulgação T udo depende do meio em que se está inserido. É aqui que está a resposta. Não podemos comparar rock com samba, pagode com jazz, sertanejo com MPB. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E depende muito do que a pessoa em questão gosta e está acostumada a escutar. Martins dá como exemplo a pergunta “Lobão é bom?”. Mas comparado a que? “Se for com- parado a geração deles, ok, ele pode ser até bom. Mas se for comparado a um Tom Jobim, ele é uma bosta. Eu acho que essa questão da qualidade ela é mui- to relativa”. Os fãs de rock, em geral, acham sertanejo universitário ruim. Essa questão da qualidade, do bom ou ruim, é subjetiva, a partir do mo- mento em que você convive com vários universos. “Tem cara do sertanejo que é bom e toca direi- tinho, mas tem cara do sertanejo universitário que é uma merda, que você vê que é uma dupla que 20 EQUALIZE só tá lá pra faturar”, diz Martins. Na década de 1970 era muito comum ouvir na rádio Elis Re- gina cantando “Romaria”, em seguida Carlos Alexandre com “Feiticeira”, então Clara Nunes cantava “Alvorecer”, por exem- plo. E aí depois tinha uma banda de rock. O público fazia a seleção natural. E nada mais democrá- tico do que isso. Denise concorda com Martins. O bom e o ruim não devem ser uma comparação en- tre ritmos, e nem mesmo entre gerações. Sempre tem o que é bacana e o que não é. Cavalcanti resume toda essa discussão com uma frase: “Arte não é uma coisa que você possa passar uma régua”. Não faz sen- tido querer comparar ritmos e ar- tistas de épocas diferentes. Ou até o mesmo cantor ou banda em épocas diferentes. As pessoas evo- luem, mudam de estilo e prefe- rências. E não tem nada de erra- do nisso, nem perde a qualidade. Não adianta querer compa- rar Chico Buarque como letris- ta e músico, com Lenine e Zeca Baleiro. “Essa geração de Chico, Caetano Veloso, Edu Lobo, fa- mília Caymi, talvez daqui 100 anos venha uma geração des- se naipe. A geração nascida na década de 40, como Beatles, é diferenciada. Agora, você vai vi- ver a vida comparando? Sumir? Voltar no tempo? Não dá, são qualidades diferentes”. Para o colunista, o certo é es- tar aberto para o novo. Admi- rar, apreciar, saber o que é bom e ensinar os jovens a comparar. Tem as coisas que são de moda, que para ficar enturmado você tem que conhecer. Mas só o que é bom, fica. “Você quer saber se algo é bom, espera passarem os anos. Esses chicletes aí logo so- mem, alguns já sumiram. E faz parte”, reitera.