a importância da própria sexualidade e da
masturbação, por exemplo, que é um cam-
po praticamente inexplorado e considerado
um tabu. Além disso, e, primordialmente, os
encontros procuram ressignificar as relações
entre as mulheres. “A gente vive em uma so-
ciedade que prega que mulher não pode ter
amiga, que mulher precisa ser rival, que mu-
lher precisa competir, e, na realidade, isso
acontece por conta de quererem diminuir a
força do feminino”, declara Camila.
De mãos dadas para fortificar
Depois de tantos anos sendo ensinadas
de que uma mulher é ameaça para a autoesti-
ma de outra, a caminhada é para subverter a
lógica, romper com imposições e cuidar do
corpo e da mente. Érika Rosa, facilitadora de
círculos de mulheres há dois anos na Casa
Sensorial, no interior de São Paulo, enxer-
ga esses encontros como lugar potente para
essas transformações, porque promovem o
fortalecimento do feminino de cada mulher.
“Quando eu venho para cá [para o círculo],
me sinto nutrida. (...) É o que a maioria das
mulheres dizem, que elas se sentem mais for-
talecidas. Esse encontro com outra mulher
sem aquela competição e inveja, seja o que
for, é uma coisa mais de união, uma fortalece
a outra”, comenta Érika.
Longe de hierarquias e teorismos, os
movimentos realizados pelos círculos têm
como objetivo acolher e integrar, o importan-
te é a construção de um espaço em que as mu-
lheres se encontrem, é o que afirma Camila
Dias. Para ela, “toda mulher é apta a facilitar
um círculo de mulheres, toda mulher deveria
ter um grupo de mulheres ou sendo facilita-
01
O altar circular traz elementos que reafirmam
as temáticas trabalhadas nos encontros