Revista Elas nov. 2019 | Seite 98

a importância da própria sexualidade e da masturbação, por exemplo, que é um cam- po praticamente inexplorado e considerado um tabu. Além disso, e, primordialmente, os encontros procuram ressignificar as relações entre as mulheres. “A gente vive em uma so- ciedade que prega que mulher não pode ter amiga, que mulher precisa ser rival, que mu- lher precisa competir, e, na realidade, isso acontece por conta de quererem diminuir a força do feminino”, declara Camila. De mãos dadas para fortificar Depois de tantos anos sendo ensinadas de que uma mulher é ameaça para a autoesti- ma de outra, a caminhada é para subverter a lógica, romper com imposições e cuidar do corpo e da mente. Érika Rosa, facilitadora de círculos de mulheres há dois anos na Casa Sensorial, no interior de São Paulo, enxer- ga esses encontros como lugar potente para essas transformações, porque promovem o fortalecimento do feminino de cada mulher. “Quando eu venho para cá [para o círculo], me sinto nutrida. (...) É o que a maioria das mulheres dizem, que elas se sentem mais for- talecidas. Esse encontro com outra mulher sem aquela competição e inveja, seja o que for, é uma coisa mais de união, uma fortalece a outra”, comenta Érika. Longe de hierarquias e teorismos, os movimentos realizados pelos círculos têm como objetivo acolher e integrar, o importan- te é a construção de um espaço em que as mu- lheres se encontrem, é o que afirma Camila Dias. Para ela, “toda mulher é apta a facilitar um círculo de mulheres, toda mulher deveria ter um grupo de mulheres ou sendo facilita- 01 O altar circular traz elementos que reafirmam as temáticas trabalhadas nos encontros