Revista Elas nov. 2019 | Página 97

Maria “C uidado com outras mulheres”. “Mulheres são falsas e compe- tem entre si”. “Ter amigo ho- mem é mais fácil e simples”. “Amizade ver- dadeira? Só com homens”. “Sua amiga vai se interessar pela mesma pessoa que você”. Quem nunca se deparou com falas desse tipo? É quase impossível ter nascido mulher sem ter esbarrado com algumas dessas decla- rações ao longo da vida. Nascer, crescer e viver em uma socie- dade que coloque as mulheres como rivais faz com que todas adoeçam. Imersas em uma so- ciedade patriarcal, a existência feminina é re- volucionária e a sobrevivência, muitas vezes, significa resistir ao sistema imposto. Depois “ tas, segundo pesquisa do Datafolha em 2019. Diante desse contexto, o círculo de mulheres, uma forma de reunião, surge como um espa- ço de expressão e fortalecimento da amizade e sororidade feminina. Esses círculos são, geralmente, reu- niões mensais em que um grupo de mulhe- res sentam em volta de um altar circular, que normalmente reúne elementos como incenso, velas, oráculos, objetos importantes para as integrantes e elementos relacionados à temá- tica do dia, já que cada encontro aborda um determinado assunto. Diversas ferramentas das terapias integrativas, a arterapia, as dan- ças circulares, a mitologia sagrada, o teatro e os contos são utilizados para acessar temá- A gente vive em uma sociedade que prega que mulher não pode ter amiga, que mulher precisa ser rival, que mulher precisa competir, e, na realidade, isso acontece por conta de quererem diminuir a força do feminino de muito caminhar só, as mulheres enxerga- ram uma energia necessária para viver bem, pautada em um espaço comum, de vivência com quem comunga da mesma cartilha, a so- roridade. Com os círculos de mulheres, elas se unem, se ajudam e procuram se manter fir- mes, um contato que passa por autocuidado e transborda em cuidado coletivo. Unidas em volta de um altar Os movimentos feministas e o resgate do empoderamento feminino têm crescido em todo o mundo e se tornado mais presente no cotidiano das pessoas. São 38% de mu- lheres brasileiras que se consideram feminis- ticas do inconsciente feminino, objetivando uma cura com o próprio eu e nas relações com o próximo. “A importância que eu vejo é esse compartilhamento do meu saber com o seu saber, compartilhamento das nossas emoções, do ciclo menstrual mesmo, porque muitas mulheres não conhecem seu próprio ciclo”, relata Jacqueline Rosa, frequentadora de círculos há um ano. Segundo Camila Dias, facilitadora de círculo de mulheres e terapeuta integrativa, é dentro do círculo que se procura trabalhar temáticas que buscam conectar a mulher de novo com o amor-próprio, trazer de volta a autoestima, o empoderamento feminino, 9 7