Maria
“C
uidado com outras mulheres”.
“Mulheres são falsas e compe-
tem entre si”. “Ter amigo ho-
mem é mais fácil e simples”. “Amizade ver-
dadeira? Só com homens”. “Sua amiga vai
se interessar pela mesma pessoa que você”.
Quem nunca se deparou com falas desse
tipo? É quase impossível ter nascido mulher
sem ter esbarrado com algumas dessas decla-
rações ao longo da vida.
Nascer, crescer e viver em uma socie-
dade que coloque as mulheres como rivais faz
com que todas adoeçam. Imersas em uma so-
ciedade patriarcal, a existência feminina é re-
volucionária e a sobrevivência, muitas vezes,
significa resistir ao sistema imposto. Depois
“
tas, segundo pesquisa do Datafolha em 2019.
Diante desse contexto, o círculo de mulheres,
uma forma de reunião, surge como um espa-
ço de expressão e fortalecimento da amizade
e sororidade feminina.
Esses círculos são, geralmente, reu-
niões mensais em que um grupo de mulhe-
res sentam em volta de um altar circular, que
normalmente reúne elementos como incenso,
velas, oráculos, objetos importantes para as
integrantes e elementos relacionados à temá-
tica do dia, já que cada encontro aborda um
determinado assunto. Diversas ferramentas
das terapias integrativas, a arterapia, as dan-
ças circulares, a mitologia sagrada, o teatro
e os contos são utilizados para acessar temá-
A gente vive em uma sociedade que prega que mulher
não pode ter amiga, que mulher precisa ser rival, que
mulher precisa competir, e, na realidade, isso acontece
por conta de quererem diminuir a força do feminino
de muito caminhar só, as mulheres enxerga-
ram uma energia necessária para viver bem,
pautada em um espaço comum, de vivência
com quem comunga da mesma cartilha, a so-
roridade. Com os círculos de mulheres, elas
se unem, se ajudam e procuram se manter fir-
mes, um contato que passa por autocuidado e
transborda em cuidado coletivo.
Unidas em volta de um altar
Os movimentos feministas e o resgate
do empoderamento feminino têm crescido
em todo o mundo e se tornado mais presente
no cotidiano das pessoas. São 38% de mu-
lheres brasileiras que se consideram feminis-
ticas do inconsciente feminino, objetivando
uma cura com o próprio eu e nas relações
com o próximo. “A importância que eu vejo
é esse compartilhamento do meu saber com
o seu saber, compartilhamento das nossas
emoções, do ciclo menstrual mesmo, porque
muitas mulheres não conhecem seu próprio
ciclo”, relata Jacqueline Rosa, frequentadora
de círculos há um ano.
Segundo Camila Dias, facilitadora de
círculo de mulheres e terapeuta integrativa,
é dentro do círculo que se procura trabalhar
temáticas que buscam conectar a mulher de
novo com o amor-próprio, trazer de volta
a autoestima, o empoderamento feminino,
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