Maria
P D
A E
P M
O Ã
E
filhos e do marido, foi fundamental para
que nos tempos atuais pudéssemos ter a
liberdade de escolher ser ou não mães. E isso
se deve a movimentos feministas, mulheres
que fizeram revolução, processos históricos,
e por aí vai. Outro fator que contribuiu para
essa escolha foi a ampliação da mulher
no mercado de trabalho e sua vontade em
construir um futuro de sucesso e realizar
seus objetivos sem dependências maternas.
Claro que mulheres-mães conseguem
realizar tais conquistas profissionais, mas
sabemos pelo óbvio que o caminho para
isso se torna mais complicado e muitas
vezes mais cansativo, principalmente para
aquelas que não têm estrutura financeira e
familiar amplamente estabelecidas.
Encontrei em um grupo do Facebook
exclusivo para mulheres, uma moça que dizia
ter a certeza de não querer a maternidade
para sua vida. Camila Tramontina, 22 anos,
estudante de direito, me afirmou que não sente
vontade de viver o período materno e que,
com isso, recebe uma chuva de comentários
inconvenientes acerca de sua escolha.
Conversando com a jovem sobre o assunto,
ela me revelou que as pessoas a sua volta
comentam que “uma hora ela vai mudar de
ideia” ou que “ela precisa de um filho pra ter
quem cuidar dela na velhice” e nas palavras
da estudante, “a pressão social em cima da
mulher, nesse aspecto, é pesadíssima, porque
a sociedade ainda não se acostumou que a
mulher é muito mais que um ser reprodutor,
como se toda a responsabilidade do futuro do
mundo caísse sobre o fato da mulher ter filhos
ou não, e o pior, as perguntas do tipo ‘ah, mas
e se seu marido quiser?’ me chocam. Como se
a opinião dele contasse mais do que a minha”.
Isso nos faz pensar em como a sociedade nos
enxerga como um útero ambulante ou um ser
existente para reproduzir a espécie, apenas.
E quando a gravidez se torna real
na vida de uma mulher de maneira não
programada e até mesmo indesejada, entramos
em um campo problemático que resulta,
algumas vezes, numa questão muito discutida
atualmente: o aborto e sua legalização. Nem
todas as mulheres que passam por uma
gravidez não planejada optam por interromper
a gestação, porém muitas o fazem, de maneira
clandestina e insegura. Conversando disso
com Dryelle Cintra, advogada e minha amiga
de muitos anos, ela me disse que “o aborto no
ordenamento jurídico brasileiro é permitido
em duas situações: em casos do risco de morte
da gestante (logo opta-se pela preservação
da vida da mulher em detrimento do feto), e
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