Revista Elas nov. 2019 | Página 83

Carmen A problemática da sexualização de personagens acontece tanto com atrizes reais quanto em animações, mais especificamente as animações japonesas, conhecidas como animes. A hiperssexualização de papéis fe- mininos acontece com grande força nessa indústria, principalmente em animações vol- tadas para o público masculino – enquanto o protagonista masculino é forte, destemido e poderoso, as garotas têm atributos físicos desproporcionalmente grandes, usam roupas curtas e decotadas e servem unicamente para apoiar o homem. Para Lívia, o boicote a produções que sexualizam as mulheres não pode ser tão efe- tivo quanto o pretendido por muitos ativistas ou amantes dos cinemas. “Quando falamos sobre cultura de massa, o boicote de uma par- te do telespectador ainda não é suficiente. É preciso gerar diálogo e não impedir que as pessoas vejam um entretenimento, pois mui- tas vezes eles não sabem como isso afeta as mulheres”, opina. Ainda que o cenário pareça enraiza- do, as mudanças estão acontecendo. “Duran- te muito tempo o foco desses produtos de en- tretenimento foi majoritariamente o homem. Então fazia sentido essa representação em filmes de heróis, em quadrinhos, em animes, porque agradava o público-alvo. Como as meninas, hoje, estão consumindo mais esse conteúdo e muitas se incomodam com essa representação das personagens femininas, essa sexualização tem diminuído”, pontua Gabi Xavier. Algumas das sexualizações mais de- correntes são: Imagem: Reprodução / Colagem: Mayara Marques Enquadramento dos seios, glúteos e virilha - Quando a posição das câmeras, ou as cenas, favorecem a captura de 8 3