Revista Elas nov. 2019 | Page 82

mais variados “tipos” de mulheres. “A mu- lher indefesa existe, a mulher dramática tam- bém - não vejo problema em representá-las. Mas as mulheres fortes, frias e grandes líde- res também são reais e precisam ser mostra- das igualmente em filmes, livros, desenhos... Isso que é importante!”, reforça. Sexualização Enquanto a estereotipização atribui às mulheres determinados papéis pré-estabe- lecidos, a sexualização foca unicamente nos atributos físicos delas, realçando e, por mui- tas vezes, intensificando suas formas e cur- vas. Mesmo que elas tenham uma posição de relevância no produto audiovisual, acabam ganhando atenção pelo seu corpo, e não por suas outras características e feitos. Mas esse não é o maior problema que a sexualização das mulheres carrega. Esse destaque e realce ao corpo feminino é feito para agradar o público masculino, de maneira erótica e quase pornográfica, em determina- dos casos. A raiz desse problema é profunda, e envolve todo o imaginário de que as mu- lheres foram feitas para agradar sexualmente aos homens. Essa objetificação as reduz sim- plesmente a meros rostos bonitos e “corpos gostosos”, feitos para apreciação nas telas. Grandes decotes, seios saltados, qua- dril fino, roupas coladas e provocantes. A sexualização das personagens se volta para um único padrão de beleza – o que, por si só, configura outro grande problema – e redu- zem essas mulheres, como se elas existissem apenas para serem “gostosas”. Até mesmo super-heroínas – como é o caso mais famo- so, a personagem Viúva Negra, interpretada por Scarlett Johansson, considerada um “sex symbol” – perdem sua posição de poder e são lembradas por seu corpo. 8 2