Nise
O
Manifestação contra a impunidade no caso do assassinato de Marielle Franco
ano de 2018 sugou a energia das
mulheres. Em 14 março, o Brasil e
o mundo voltaram os olhares para
o assassinato de Marielle Franco, vereadora
eleita no Rio de Janeiro com 46 mil votos.
Representando a luta das mulheres, da pe-
riferia e do público LGBTQI+, Marielle foi
vítima da política de repressão e ódio que se
estende e se intensifica hoje, no Brasil gover-
nado por Bolsonaro.
A partir da segunda metade do ano pas-
sado, fomos imersas numa corrida eleitoral
afundada em manipulação, discurso de ódio
e polarização. Vimos o fascismo e o conser-
vadorismo virem à tona com o candidato do
PSL que hoje ocupa o Poder Executivo.
Quem está na linha de frente, onde as
coisas estouram no peito e a mente luta para
subverter a onda de ódio que se levanta, foi se
entristecendo. 2018 terminou e 2019 come-
çou tóxico, entramos no novo ano receosas
com o que se seguiria. A prévia do que nos
mostrou o passado segue aqui, no agitado
2019, com ações misóginas do Presidente da
República, de seus filhos e do alto escalão do
governo brasileiro.
Imersas em um cenário que tem sido
nocivo aos direitos de várias populações, so-
bretudo, para as mulheres, nós nos vemos em
constante luta.
A doutora em terapia ocupacional e
docente da Universidade Federal da Paraíba,
Iara Falleiros, fala sobre o peso do mundo e
da conjuntura do país. “Já me senti sugada
por conta de acontecimentos. Já me senti com
muita ansiedade e tristeza, a ponto de chegar
em casa desolada e chorar muito. Isso tem
abalado cotidiano de maneira intensa. O que
tem me fortalecido é me engajar nos movi-
mentos e nos coletivos em luta”, relata.
Diante de tantos acontecimentos que
nos tiram o ar, como respirar em 2019 e man-
ter o fôlego para seguirmos juntas na luta
contra o retrocesso? A resposta, para muitas
mulheres de hoje e tantas outras pioneiras,
passa pelo autocuidado.
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