Revista Elas nov. 2019 | Page 55

Nise O Manifestação contra a impunidade no caso do assassinato de Marielle Franco ano de 2018 sugou a energia das mulheres. Em 14 março, o Brasil e o mundo voltaram os olhares para o assassinato de Marielle Franco, vereadora eleita no Rio de Janeiro com 46 mil votos. Representando a luta das mulheres, da pe- riferia e do público LGBTQI+, Marielle foi vítima da política de repressão e ódio que se estende e se intensifica hoje, no Brasil gover- nado por Bolsonaro. A partir da segunda metade do ano pas- sado, fomos imersas numa corrida eleitoral afundada em manipulação, discurso de ódio e polarização. Vimos o fascismo e o conser- vadorismo virem à tona com o candidato do PSL que hoje ocupa o Poder Executivo. Quem está na linha de frente, onde as coisas estouram no peito e a mente luta para subverter a onda de ódio que se levanta, foi se entristecendo. 2018 terminou e 2019 come- çou tóxico, entramos no novo ano receosas com o que se seguiria. A prévia do que nos mostrou o passado segue aqui, no agitado 2019, com ações misóginas do Presidente da República, de seus filhos e do alto escalão do governo brasileiro. Imersas em um cenário que tem sido nocivo aos direitos de várias populações, so- bretudo, para as mulheres, nós nos vemos em constante luta. A doutora em terapia ocupacional e docente da Universidade Federal da Paraíba, Iara Falleiros, fala sobre o peso do mundo e da conjuntura do país. “Já me senti sugada por conta de acontecimentos. Já me senti com muita ansiedade e tristeza, a ponto de chegar em casa desolada e chorar muito. Isso tem abalado cotidiano de maneira intensa. O que tem me fortalecido é me engajar nos movi- mentos e nos coletivos em luta”, relata. Diante de tantos acontecimentos que nos tiram o ar, como respirar em 2019 e man- ter o fôlego para seguirmos juntas na luta contra o retrocesso? A resposta, para muitas mulheres de hoje e tantas outras pioneiras, passa pelo autocuidado. 5 5