Revista Elas nov. 2019 | Page 51

Chanel (O futuro é feminino), “Girlboss” (A chefe, mulher com poder e sucesso) e a clássica “Girl Power” (Poder feminino), as camise- tas passam mensagens de força e poder para quem a usa e para quem a lê. Além disso, di- vulgam as ideias e protestos das mulheres e podem ajudar com o aumento da auto estima (devido ao modelo ou corte da peça). Por outro lado, há quem acredite que as blusas com textos feministas sejam uma jogada de marketing de empresas que visam lu- crar com o movimento, uma vez que o dinheiro arrecadado por grandes empreendimentos não são revertidos para a luta feminina. Eduarda Souza (21), estudante e uma das fundadoras do co- letivo feminista “Aya” da Unesp de Bauru, acredita que as empre- sas aproveitam os mo- mentos em que o mov- imento está em alta para comercializar as peças com dizeres feministas. “Eles são a favor do feminismo quando con- vém a eles. Vivemos em um mundo capitalis- ta, em que a morte de mulheres ou o machis- mo vira um produto para você sair nas ruas mostrando o quanto é militante”, reflete. Por sua vez, a estudante Giovanna Julião (21), considera que as roupas são um modo interessante de introduzir algumas mulheres nas pautas feministas e fazê-las se sentirem empoderadas. Mas, há outros mo- dos de ensiná-las sobre o assunto. “Podemos introduzi-las a esse mundo com filmes, músi- cas, novelas... Não é todo mundo que tem R$40 para gastar com uma blusa escrito ‘Girl Power’”, opina. Igualdade? Liberdade? Por vivermos em uma sociedade cul- turalmente patriarcal (em que o homem mantém o poder na organização social), ain- da enfrentamos preconceitos e “problemas” quando nos vestimos. Os constantes casos de assédio (verbal ou sexu- al), estupro ou os avisos de que precisamos nos trocar (por conta do esti- lo da roupa) fazem parte do cotidiano de muitas meninnas e mulheres. E, como se nos- sas privações e falta de direitos não fossem su- ficientes, a situação nos tira mais uma coisa: a liberdade de podermos escolher o que quere- mos vestir. Em pesquisa re- alizada com 175 mul- heres, é possível notar o número das vítimas das “normas” impostas pela sociedade em relação a roupa que usamos: 86% já ouviram que precisavam se trocar por estarem usan- do algo “muito curto”. Destes casos, 93% dos pedidos foram feitos por familiares e o restante por amigos (as) ou namorados (as). Para Giovanna, é normal que os pais tentem proteger as filhas, mas “não deveria ser uma peça de roupa que determina se eu estou se- gura ou não”. Além disso, 77% das mulheres respon- deram que já se policiaram ao escolherem “São a favor do feminismo quando convém a eles” 5 1