Chanel
(O futuro é feminino), “Girlboss” (A chefe,
mulher com poder e sucesso) e a clássica
“Girl Power” (Poder feminino), as camise-
tas passam mensagens de força e poder para
quem a usa e para quem a lê. Além disso, di-
vulgam as ideias e protestos das mulheres e
podem ajudar com o aumento da auto estima
(devido ao modelo ou corte da peça).
Por outro lado, há quem acredite que
as blusas com textos feministas sejam uma
jogada de marketing de
empresas que visam lu-
crar com o movimento,
uma vez que o dinheiro
arrecadado por grandes
empreendimentos não
são revertidos para a
luta feminina.
Eduarda
Souza
(21), estudante e uma
das fundadoras do co-
letivo feminista “Aya”
da Unesp de Bauru,
acredita que as empre-
sas aproveitam os mo-
mentos em que o mov-
imento está em alta para
comercializar as peças
com dizeres feministas.
“Eles são a favor do feminismo quando con-
vém a eles. Vivemos em um mundo capitalis-
ta, em que a morte de mulheres ou o machis-
mo vira um produto para você sair nas ruas
mostrando o quanto é militante”, reflete.
Por sua vez, a estudante Giovanna
Julião (21), considera que as roupas são um
modo interessante de introduzir algumas
mulheres nas pautas feministas e fazê-las se
sentirem empoderadas. Mas, há outros mo-
dos de ensiná-las sobre o assunto. “Podemos
introduzi-las a esse mundo com filmes, músi-
cas, novelas... Não é todo mundo que tem
R$40 para gastar com uma blusa escrito ‘Girl
Power’”, opina.
Igualdade? Liberdade?
Por vivermos em uma sociedade cul-
turalmente patriarcal (em que o homem
mantém o poder na organização social), ain-
da enfrentamos preconceitos e “problemas”
quando nos vestimos. Os constantes casos de
assédio (verbal ou sexu-
al), estupro ou os avisos
de que precisamos nos
trocar (por conta do esti-
lo da roupa) fazem parte
do cotidiano de muitas
meninnas e mulheres.
E, como se nos-
sas privações e falta de
direitos não fossem su-
ficientes, a situação nos
tira mais uma coisa: a
liberdade de podermos
escolher o que quere-
mos vestir.
Em pesquisa re-
alizada com 175 mul-
heres, é possível notar
o número das vítimas
das “normas” impostas pela sociedade em
relação a roupa que usamos: 86% já ouviram
que precisavam se trocar por estarem usan-
do algo “muito curto”. Destes casos, 93%
dos pedidos foram feitos por familiares e o
restante por amigos (as) ou namorados (as).
Para Giovanna, é normal que os pais tentem
proteger as filhas, mas “não deveria ser uma
peça de roupa que determina se eu estou se-
gura ou não”.
Além disso, 77% das mulheres respon-
deram que já se policiaram ao escolherem
“São a favor
do feminismo
quando convém
a eles”
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