Revista Elas nov. 2019 | Page 40

O bullying é um fator de risco! A insatisfação com a aparência, na grande maioria, começa desde a adolescência. E os casos podem ser oriundos do bullying. O bullying é um ato caracterizado pela violência física e/ou psicológica, de maneira proposital e constante de um indivíduo ou grupo contra outro(s) indivíduo(s) ou grupo(s), sem motivo claro. De acordo com uma pesquisa feita pelo IBGE em 2016 sobre a saúde do estudante brasileiro, o número de casos de jovens submetidos a essa humilhação diária está crescendo. A pesquisa feita pelo IBGE mostrou que 7,4% dos alunos afirmam que na maior parte do tempo ou sempre, se sentiram humilhados por provocações. 19% dos estudantes disseram ter zombado, intimidado ou caçoado de algum de seus colegas de escola. Os principais motivos de provocação foram a aparência do corpo, 15,6%, e a aparência do rosto, 10,6%. “Sofri bullying por ser considerada ‘alta demais’, tenho 1,84 desde meus 16 anos e no ensino médio os garotos me zoavam por não ter altura de ‘mulher’. No ensino fundamental, eu sofria por ter nariz grande, a galera me chamava e se abaixava para zoar, justificando que eles tinham que abaixar para o meu nariz passar”, diz Geovana. Veronica Bonatto Bonamin é outra vítima dos transtornos 4 0 psicológicos causados pela aparência, do bullying e das estatísticas: ela tem 18 anos e já sofreu depressão e distúrbios alimentares. “Não me sinto bem com o meu peso, apesar de ter perdido 20 kg, não me sinto bem em nenhuma roupa”, explana a jovem. Redes sociais influencer: são e digital responsáveis? Achar um responsável pelo frívola busca da aparência ideal é utópico. Assim como afirma Luciana “é complexo, é um caminho de mão dupla”, pois podemos encontrar diversos agravantes, como o bullying e os padrões de belezas reproduzidos pelas mídias e pela moda, tangenciados pela internet. Em pleno século 21, 90% dos jovens brasileiros, entre 9 e 17 anos, possuem pelo menos um perfil nas redes sociais, segundo a TIC Kids Online Brasil. Estes jovens serão os futuros frequentadores de clínicas de estéticas e cirurgias plásticas, índices que vêm crescendo a cada ano. Portanto, o que os adolescentes consomem ao longo de sua formação são imprescindíveis para se formarem adultos auto suficientes. Ambas as entrevistadas, Geovana e Veronica, expõe a insatisfação de não se sentirem representadas no meio das influencers, comuns da plataforma instagram. “Aqui no Brasil, a maioria das influencers que eu vejo estão dentro do padrão, e as poucas que não estão, entram em dietas e mostram para as pessoas que perderam 15 kg em 1 mês, sendo que, muitas vezes, estão mentindo e escondendo