Revista Elas nov. 2019 | Seite 39

Chanel C intura, seios e quadris com a mesma As intervenções estéticas não são as medida, as mulheres usavam vestidos únicas procuradas, psicólogos e psiquiatras retos e até mesmo enrolavam as faixas recebem com frequência indivíduos que sobre os seis para achatá-los. Esse era o pa- sofrem por conta da aparência. Luciana Saddi, drão de beleza dos anos 1920 no Brasil. Nos psicanalista e mestre em psicologia clínica pela anos 80 e 90, as mulheres, para serem consi- PUC, afirma que “mulheres e homens jovens derados bonitas, deveriam ser altas, magras, são os mais vulneráveis”. Ela também conta com aspecto de fortes e esbeltas. Por volta sobre o que desencadeia esses transtornos em de 2010, as modelos extremamente magras seus pacientes: “É todo um conjunto de fatores. ganharam destaque no universo da moda. O A aparência ideal é um fator importante, mas aspecto saudável já não a questão da auto estima e de era tão valorizado. E, se ver como alguém singular próximo ao ano 2020, é o cerne do problema. O Atualmente, o Brasil é o é notável um novo pa- desconhecimento a respeito segundo no ranking mundial de drão de beleza: corpo de si mesmo (a), sobre os cirurgias plásticas malhado, com seios e próprios limites, sobre o glúteos avantajados e funcionamento do corpo, uma cintura de pilão. da fome se mesclam às Os padrões variam ao longo dos anos, pressões da sociedade patriarcal”, explica conforme a configuração social daquela Luciana. “Eu não tenho autoestima alta e não determinada comunidade, mas, o que consigo me sentir confortável com encontros, não muda, é a quantidade baixíssima das porque eu sempre acho que não sou bonita mulheres que se encaixam neles. Com isso, o suficiente para alguém se apaixonar por as cirurgias plásticas e as clínicas de estéticas mim”, fala Geovana Orsari, 21 anos. E, assim crescem disparadamente. Atualmente, o como citado pela psicanalista, a jovem sofre Brasil é o segundo no ranking mundial de com baixa auto estima e não está confortável cirurgias plásticas e, entre os procedimentos com sua aparência: “Meu maior incômodo mais realizados, o aumento de mama aparece com a minha beleza é o meu sobrepeso”, diz. em primeiro lugar, com 288.597 cirurgias, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Dandara Adrien Aveiro é uma dessas mulheres. Ela tem 28 anos e conta que a vontade de colocar silicone começou ainda na adolescência. “Minha mãe sempre teve ciência da minha vontade de aumentar os seios, desde os meus 14 anos eu sofria com peitos pequenos. Eu me via muito magra comparada às minhas amigas, não era dotada com pernas musculosas ou bundas grandes. Na minha cabeça, eu não tinha nada que me valorizava”, expressa Dandara. 3 9