Chanel
C
intura, seios e quadris com a mesma
As intervenções estéticas não são as
medida, as mulheres usavam vestidos
únicas procuradas, psicólogos e psiquiatras
retos e até mesmo enrolavam as faixas
recebem com frequência indivíduos que
sobre os seis para achatá-los. Esse era o pa-
sofrem por conta da aparência. Luciana Saddi,
drão de beleza dos anos 1920 no Brasil. Nos
psicanalista e mestre em psicologia clínica pela
anos 80 e 90, as mulheres, para serem consi-
PUC, afirma que “mulheres e homens jovens
derados bonitas, deveriam ser altas, magras,
são os mais vulneráveis”. Ela também conta
com aspecto de fortes e esbeltas. Por volta
sobre o que desencadeia esses transtornos em
de 2010, as modelos extremamente magras
seus pacientes: “É todo um conjunto de fatores.
ganharam destaque no universo da moda. O
A aparência ideal é um fator importante, mas
aspecto saudável já não
a questão da auto estima e de
era tão valorizado. E,
se ver como alguém singular
próximo ao ano 2020,
é o cerne do problema. O
Atualmente, o Brasil é o
é notável um novo pa-
desconhecimento a respeito
segundo no ranking mundial de
drão de beleza: corpo
de si mesmo (a), sobre os
cirurgias
plásticas
malhado, com seios e
próprios limites, sobre o
glúteos avantajados e
funcionamento do corpo,
uma cintura de pilão.
da fome se mesclam às
Os padrões variam ao longo dos anos,
pressões da sociedade patriarcal”, explica
conforme a configuração social daquela
Luciana. “Eu não tenho autoestima alta e não
determinada comunidade, mas, o que
consigo me sentir confortável com encontros,
não muda, é a quantidade baixíssima das
porque eu sempre acho que não sou bonita
mulheres que se encaixam neles. Com isso,
o suficiente para alguém se apaixonar por
as cirurgias plásticas e as clínicas de estéticas
mim”, fala Geovana Orsari, 21 anos. E, assim
crescem disparadamente. Atualmente, o
como citado pela psicanalista, a jovem sofre
Brasil é o segundo no ranking mundial de
com baixa auto estima e não está confortável
cirurgias plásticas e, entre os procedimentos
com sua aparência: “Meu maior incômodo
mais realizados, o aumento de mama aparece
com a minha beleza é o meu sobrepeso”, diz.
em primeiro lugar, com 288.597 cirurgias,
segundo dados da Sociedade Brasileira de
Cirurgia Plástica (SBCP). Dandara Adrien
Aveiro é uma dessas mulheres. Ela tem 28
anos e conta que a vontade de colocar silicone
começou ainda na adolescência. “Minha mãe
sempre teve ciência da minha vontade de
aumentar os seios, desde os meus 14 anos eu
sofria com peitos pequenos. Eu me via muito
magra comparada às minhas amigas, não era
dotada com pernas musculosas ou bundas
grandes. Na minha cabeça, eu não tinha
nada que me valorizava”, expressa Dandara.
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