Revista Elas nov. 2019 | Seite 22

Sou trans, Sou mulher! Entenda o que é a transexualidade e quais são os principais preconceitos sofridos pelas mulheres trans no Brasil Aline Barbosa A liberdade sexual e de gênero é algo que faz, e deve fazer, parte de todas as esferas da sociedade. Porém, esse tema provoca dúvidas, inquieta- ções e, até descontentamentos, entre aqueles que têm menos familiaridade ou menos in- formação sobre o assunto. De acordo com o Dossiê dos As- sassinatos e da Violência contra Travestis e Transexuais no Brasil de 2018, realizado pela ANTRA (Associação Nacional de Tra- vestis e Transexuais do Brasil) em parceria com o IBTE ( Instituto Brasileiro Trans de Educação), no ano de 2018, ocorreram 163 assassinatos de pessoas trans, dentre elas, 158 eram mulheres. Em 2018, a taxa média de assassina- tos de mulheres transexuais no Brasil é de 5,11 a cada 100 mil pessoas trans, enquanto para mulheres cisgêneras a taxa é de 4,8 as- sassinatos para cada 100 mil mulheres cis, segundo o estudo. 2 2 Seja por falta de conhecimento, pre- conceito ou intolerância, pessoas transexu- ais, como a Valkyria, são vítimas de discri- minações diariamente. A vivência de Valkyria Valkyria Vonshiroder, estudante de Educação Física, nasceu em um corpo mas- culino, mas sempre se identificou pelo uni- verso feminino. “Eu sempre tive esse apreço pelo feminino, desde muito pequeno. Eu sa- bia que eu tinha algo diferente e quando eu comecei a crescer, ficar mais velho, eu co- mecei a achar que eu era um menino... - por isso o uso das palavras no gênero masculino, explica Valkyria - ... um menino gay até eu ter um contato maior com todos os movi- mentos: conhecer as meninas trans e saber do universo trans”, conta a estudante. A partir disso, Valkyria passou por um processo de auto-aceitação e de autodescobrimento, até que decidiu iniciar