Sou trans,
Sou mulher!
Entenda o que é a transexualidade e quais
são os principais preconceitos sofridos
pelas mulheres trans no Brasil
Aline Barbosa
A
liberdade sexual e de gênero é
algo que faz, e deve fazer, parte
de todas as esferas da sociedade.
Porém, esse tema provoca dúvidas, inquieta-
ções e, até descontentamentos, entre aqueles
que têm menos familiaridade ou menos in-
formação sobre o assunto.
De acordo com o Dossiê dos As-
sassinatos e da Violência contra Travestis
e Transexuais no Brasil de 2018, realizado
pela ANTRA (Associação Nacional de Tra-
vestis e Transexuais do Brasil) em parceria
com o IBTE ( Instituto Brasileiro Trans de
Educação), no ano de 2018, ocorreram 163
assassinatos de pessoas trans, dentre elas,
158 eram mulheres.
Em 2018, a taxa média de assassina-
tos de mulheres transexuais no Brasil é de
5,11 a cada 100 mil pessoas trans, enquanto
para mulheres cisgêneras a taxa é de 4,8 as-
sassinatos para cada 100 mil mulheres cis,
segundo o estudo.
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Seja por falta de conhecimento, pre-
conceito ou intolerância, pessoas transexu-
ais, como a Valkyria, são vítimas de discri-
minações diariamente.
A vivência de Valkyria
Valkyria Vonshiroder, estudante de
Educação Física, nasceu em um corpo mas-
culino, mas sempre se identificou pelo uni-
verso feminino. “Eu sempre tive esse apreço
pelo feminino, desde muito pequeno. Eu sa-
bia que eu tinha algo diferente e quando eu
comecei a crescer, ficar mais velho, eu co-
mecei a achar que eu era um menino... - por
isso o uso das palavras no gênero masculino,
explica Valkyria - ... um menino gay até eu
ter um contato maior com todos os movi-
mentos: conhecer as meninas trans e saber
do universo trans”, conta a estudante.
A partir disso, Valkyria passou
por um processo de auto-aceitação e de
autodescobrimento, até que decidiu iniciar