Revista Elas nov. 2019 | Page 125

Carlota S er mulher em uma sociedade machista e patriarcal, por si só, já se apresenta como um desafio para a sobrevivência feminina. Ser mulher e periférica torna nossa existência revolucionária. Quando se vive em um sistema que não foi pensado para que você o integre, a saída para viver é usar a criatividade e pensar no- vas formas de movimentar a vida ao redor. Hoje, nas empresas, muito se fala sobre em- preendedorismo e economia criativa, mas, na periferia, a economia sempre foi criativa. Da mulher que faz bolos à que enca- beça um projeto para a comunidade, as mu- lheres periféricas movimentam a quebrada e hackeiam o sistema ao se atreverem a buscar alternativas para driblar a exclusão social e de gênero e buscarem uma realidade diferen- te da que lhes foi imposta. (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Por trás desse sucesso todo, uma pesquisa do Sebrae, no mesmo ano, demonstrou que 80% das mais de 52 milhões de pessoas que em- preendem no Brasil o fazem como meio de sobrevivência, uma vez que faturam entre um e três salários mínimos por mês. Bauru, cidade do interior de São Paulo, é um município que tem apostado no fomento do empreendedorismo na atual gestão admi- nistrativa. A secretária de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Aline Fogolin, revela que os números crescem. “Bauru tem 27.500 MEIs formalizados e realiza mais de três mil atendimentos mensais pela Casa do Empreendedor”. Em setembro, a cidade rece- beu o maior evento de empreendedorismo do Estado, voltado para os empreendedores de base, como os MEIs. Empreender para a sobrevivência Muito do discurso meritocrático per- meia constatações acerca do empreendedo- rismo periférico e de base. Quando se em- preende para colocar comida na mesa, não há espaço para se romantizar o sacrifício da mulher preta, pobre e periférica. Para além de uma simpatia com o movimento dessas mu- lheres que estão trucando o sistema e movi- mentando a vida nas comunidades, é preciso criar espaço e oportunidades para que seus negócios façam parte do mercado e coloque o feijão na lata. Dados divulgados no segundo semestre de 2018 pela GEM (Global Entrepreneurship Monitor) revelam que o Brasil chegou a 38% na Taxa de Empreendedorismo Total. O nú- mero nos coloca como o país com a maior taxa de empreendedorismo entre os BRICS A causa não pode ser maior que colocar feijão na lata Imagem: Nayara Campos / Canva 1 25