Carlota
S
er mulher em uma sociedade machista
e patriarcal, por si só, já se apresenta
como um desafio para a sobrevivência
feminina. Ser mulher e periférica torna nossa
existência revolucionária.
Quando se vive em um sistema que não
foi pensado para que você o integre, a saída
para viver é usar a criatividade e pensar no-
vas formas de movimentar a vida ao redor.
Hoje, nas empresas, muito se fala sobre em-
preendedorismo e economia criativa, mas,
na periferia, a economia sempre foi criativa.
Da mulher que faz bolos à que enca-
beça um projeto para a comunidade, as mu-
lheres periféricas movimentam a quebrada e
hackeiam o sistema ao se atreverem a buscar
alternativas para driblar a exclusão social e
de gênero e buscarem uma realidade diferen-
te da que lhes foi imposta.
(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
Por trás desse sucesso todo, uma pesquisa do
Sebrae, no mesmo ano, demonstrou que 80%
das mais de 52 milhões de pessoas que em-
preendem no Brasil o fazem como meio de
sobrevivência, uma vez que faturam entre um
e três salários mínimos por mês.
Bauru, cidade do interior de São Paulo,
é um município que tem apostado no fomento
do empreendedorismo na atual gestão admi-
nistrativa. A secretária de Desenvolvimento
Econômico, Turismo e Renda, Aline Fogolin,
revela que os números crescem. “Bauru tem
27.500 MEIs formalizados e realiza mais de
três mil atendimentos mensais pela Casa do
Empreendedor”. Em setembro, a cidade rece-
beu o maior evento de empreendedorismo do
Estado, voltado para os empreendedores de
base, como os MEIs.
Empreender para a sobrevivência
Muito do discurso meritocrático per-
meia constatações acerca do empreendedo-
rismo periférico e de base. Quando se em-
preende para colocar comida na mesa, não
há espaço para se romantizar o sacrifício da
mulher preta, pobre e periférica. Para além de
uma simpatia com o movimento dessas mu-
lheres que estão trucando o sistema e movi-
mentando a vida nas comunidades, é preciso
criar espaço e oportunidades para que seus
negócios façam parte do mercado e coloque
o feijão na lata.
Dados divulgados no segundo semestre
de 2018 pela GEM (Global Entrepreneurship
Monitor) revelam que o Brasil chegou a 38%
na Taxa de Empreendedorismo Total. O nú-
mero nos coloca como o país com a maior
taxa de empreendedorismo entre os BRICS
A causa não pode ser maior que
colocar feijão na lata
Imagem: Nayara Campos / Canva
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