Revista Elas nov. 2019 | Page 118

Por outro lado, o grupo de profissões de marcas e dívidas históricas para como as que apresenta a menor disparidade salarial mulheres. É minimamente humano que pre- entre homens e mulheres fica a cargo de zamos pelos direitos mais básicos, que é o membros das Forças Armadas, onde as mu- pagamento igualitário para o desempenho da lheres, diferentemente de quase todas as pro- mesma função entre homens e mulheres. Isso fissões, recebem um valor acima dos homens, não é uma luta só das mulheres, mas da socie- com 100,7% de rendimento para a mesma dade articulada como um todo, afinal, se um atividade, segundo o IBGE. ganha, todos ganham. É uma luta diária a ser Os impactos psicológicos ultrapas- feita e reivindicada. sam muitas vezes também a barreira daquilo que percebemos ou não quando falamos de uma profissão dominada por determinados profissionais. “No Brasil, infelizmente o fu- tebol é voltado para o mundo dos homens, então foi um grande desafio pra mim buscar oportunidades, buscar o espaço na minha tra- jetórias, mas eu sempre fui muito inquieta, muito apaixonada pelo futebol”, diz Tatiele. “Foi um desafio muito grande, porque eu sa- bia que ia ter preconceito, a discriminação”, complementa Tatiele. Mas, a treinadora relata a felicida- de de entrar para a história do futebol: “a sensação de ser a primeira mulher é in- descritível, faltam palavras, participar de um momento histórico a nível do futebol nacional brasileiro e da minha carreira, porque pra mim é meu primeiro ano na Série A1 do campeonato brasileiro. Estar co- mando a Ferroviária, que é um modelo no futebol feminino, é uma honra. É uma felicida- de, uma alegria, um orgulho fazer parte desta história”, diz a treinadora. Logo, a conclusão que se faz é que temos, in- felizmente, no Brasil e tam- Tatiele Silveira, treinadora das Guerreiras Grenás. bém no mundo, um desafio Imagem: reprodução/Instagram como sociedade de reparação 1 18