Revista Elas nov. 2019 | Page 117

Carlota mais ocupadas por mulheres, segundo o dia de aula haviam no máximo 5 mulheres na IBGE, são: empregadas domésticas em geral sala, com as outras chamadas do Sisu foram (95%); professores de ensino fundamental entrando mais, agora devemos ser uns 30 ou (84%); trabalhadores de limpeza em interior 35% da turma. Neste primeiro dia o professor de hotéis, empresas edifícios e escritórios pediu para discutirmos sobre um tema que se (74,9%) e trabalhado- tornaria objeto de uma res de centrais de aten- pesquisa cinética e eu dimento (72,2%). Por e outra mulher estáva- outro lado, nas profis- mos tão assustadas com sões de ciências e in- a quantidade ínfima de telectuais, as mulheres mulheres na sala que de- têm maior participação, cidimos escolher o tema 63%, mas recebem ape- Mulheres no mercado nas 64,8% do rendimen- de trabalho em eco- to do homem. nomia. Nós juntamos A Revista Elas com mais três homens conversou com a trei- e dentre eles ouvimos nadora Tatiele Silvei- de um que a explicação ra, técnica do time de para isso é que mulheres futebol feminino da não sabem matemática Ferroviária e a primei- e procuram profissões ra técnica a ganhar o título que estejam longe disso”, co- É como se do Campeonato Brasileiro de menta a aluna. Futebol Feminino. Mas, as diferenças não se limi- houvesse um muro “As maiores tam somente ao número de ho- físico e psicológico dificuldades são sempre mens e mulheres que ocupam tentando nos barrar enfrentar o que eu chamaria uma determinada área de atu- de desconfiança. É o ponta-pé de entrar em qualquer ação profissional, mas como ambiente relacionado inicial. É ter uma porta aberta, existe toda uma construção so- buscar trabalhar efetivamente cial que faz a manutenção des- a essa profissão” no que a gente quer. Enfrentar tes padrões e que muitas vezes o normal, o preconceito e a discriminação passam despercebidas para a maioria das pes- de uma maneira geral, porque as mulheres soas. “Outra situação foi quando fui comprar sofrem esse problema, principalmente no minhas roupas para trabalhar. Vi diversas lo- esporte”, comentou a treinadora,Tatiele jas com ternos e gravatas e vendendo apenas Silveira. isso, mas demorei dias para encontrar uma Lídia Silva, estudante de economia loja que vendesse opções de roupas sociais da Universidade Federal do Estado de São femininas. É como se houvesse um muro fí- Paulo (UNIFESP), campus Osasco, também sico e psicológico tentando nos barrar de en- relatou a dificuldade de estar em um meio trar em qualquer ambiente relacionado a essa majoritariamente masculino. “No primeiro profissão”, responde Lídia. 1 17