Profissões
Mariana Monteiro, vocalista da banda Zandare
Provando que o lugar de mulher é onde
ela quiser, Mariana Monteiro, conhecida
como Sol, canta em uma banda de música
alternativa, sendo a única vocalista – e
integrante feminina.
Ela canta desde os 15 anos, e, mesmo
já estando na indústria musical há pouco mais
de dez anos, os problemas não parecem ter
mudado. “Uma das principais dificuldades
que eu enfrentei foi a questão do silenciamento
mesmo, o cara que fica te cortando o tempo
todo, achando que sabe mais do que você,
ou até mesmo a imagem estereotipizada,
objetificada”, conta.
Assédio e sexualização são dificuldades
recorrentes, não somente na indústria musi-
cal, como também em outras áreas onde mul-
heres conquistam algum tipo de notabilidade.
Tanto Sol quanto DJ Fifonha falam sobre a
objetificação de sua imagem, a diminuição de
seu talento e o assédio moral nos palcos. “Eu
estava tocando em Ilha Solteira e chegou um
homem dizendo ‘eu sou o moço do som, e
se você não tocar tal DJ eu vou desligar seus
fios’. Tenho certeza que isso não aconteceria
com um homem”, aponta a DJ.
“Eu não estou no meio universitário,
mas a gente se apresenta em muitas festas, e
eu acredito que a galera tem consciência sim,
mas que eles têm preguiça mesmo, comodis-
mo de pensar criticamente sobre a situação
que estamos atualmente no Brasil. Então eu
não acho que seja menor não, acho que seja
igual”, comenta Sol, reforçando a presença
da diferença de gênero em um meio que é
considerado distinto.
Seja nos grandes palcos, nos peque-
nos palcos, no funk, no rock ou no rap, as
mulheres vieram para ficar, e estão prontas
para enfrentar todas as desigualdades que
ainda existem na indústria musical, mostran-
do que, muito mais que um rosto bonito, elas
também são cheias de voz, força e talento.
“
O cara fica te
cortando o tempo
todo, achando que
sabe mais do que
você
”
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