Revista Elas nov. 2019 | Page 115

Profissões Mariana Monteiro, vocalista da banda Zandare Provando que o lugar de mulher é onde ela quiser, Mariana Monteiro, conhecida como Sol, canta em uma banda de música alternativa, sendo a única vocalista – e integrante feminina. Ela canta desde os 15 anos, e, mesmo já estando na indústria musical há pouco mais de dez anos, os problemas não parecem ter mudado. “Uma das principais dificuldades que eu enfrentei foi a questão do silenciamento mesmo, o cara que fica te cortando o tempo todo, achando que sabe mais do que você, ou até mesmo a imagem estereotipizada, objetificada”, conta. Assédio e sexualização são dificuldades recorrentes, não somente na indústria musi- cal, como também em outras áreas onde mul- heres conquistam algum tipo de notabilidade. Tanto Sol quanto DJ Fifonha falam sobre a objetificação de sua imagem, a diminuição de seu talento e o assédio moral nos palcos. “Eu estava tocando em Ilha Solteira e chegou um homem dizendo ‘eu sou o moço do som, e se você não tocar tal DJ eu vou desligar seus fios’. Tenho certeza que isso não aconteceria com um homem”, aponta a DJ. “Eu não estou no meio universitário, mas a gente se apresenta em muitas festas, e eu acredito que a galera tem consciência sim, mas que eles têm preguiça mesmo, comodis- mo de pensar criticamente sobre a situação que estamos atualmente no Brasil. Então eu não acho que seja menor não, acho que seja igual”, comenta Sol, reforçando a presença da diferença de gênero em um meio que é considerado distinto. Seja nos grandes palcos, nos peque- nos palcos, no funk, no rock ou no rap, as mulheres vieram para ficar, e estão prontas para enfrentar todas as desigualdades que ainda existem na indústria musical, mostran- do que, muito mais que um rosto bonito, elas também são cheias de voz, força e talento. “ O cara fica te cortando o tempo todo, achando que sabe mais do que você ” 1 15