Carlota
“
Mulheres que ‘chegam lá’ têm a possibilidade de justamente
inverter essa estrutura e levar mais e mais diversidade ao
topo da pirâmide
amadurecimento, você entende que a coisa é
estrutural”, completa Cláudia Paixão.
O machismo dentro do set acaba por re-
pelir mulheres, que tem que conviver, muitas
vezes, com assédios vindos de cargos supe-
riores. “Preconceitos não estão presentes só
no âmbito da força como também na dúvi-
da da capacidade da mulher de liderar uma
equipe que, em sua maioria, está composta
por homens. [...] Muitas vezes, as mulheres
conseguem sucesso nas áreas de assistências
e, quando querem subir para a direção de uma
equipe, não têm as chances necessárias para
começarem e se fortalecerem. Acabam ou
voltando a serem assistentes ou conseguindo
trabalho em projetos com menos orçamento
ou de temática feminina”, declara o Coletivo
das Diretoras de Fotografia do Brasil.
Claudia acrescenta que existe uma ima-
gem de que uma mulher produtora e direto-
ra é de alguém incisiva e com uma postura
agressiva. “Quando você não é assim, você
também é cobrado a ser. Com o tempo, você
vai mostrando que seu modo de ser e habili-
dades também são boas para o trabalho e as
pessoas, principalmente os homens, vão res-
peitando um pouco mais”, ela conclui.
Quebrando os paradigmas
Uma forma de mostrar a força da ca-
pacidade feminina é divulgando suas produ-
ções e aumentando a sua representatividade
frente ao mercado. A plataforma de conteúdo
Hysteria tem esse objetivo. Idealizada por
Renata Brandão, CEO da Conspiração Fil-
mes, a plataforma, criada e produzida por
mulheres, dá voz ao material audiovisual fe-
minino e também abre espaço para narrativas
Imagem: Reprodução/ Facebook DAFB
O Coletivo DAFB mantém um site
contendo o perfil de 234 profissionais
de 42 cidades brasileiras, além disso,
promove oficinas e eventos
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