Revista Elas nov. 2019 | Page 107

Carlota “ Mulheres que ‘chegam lá’ têm a possibilidade de justamente inverter essa estrutura e levar mais e mais diversidade ao topo da pirâmide amadurecimento, você entende que a coisa é estrutural”, completa Cláudia Paixão. O machismo dentro do set acaba por re- pelir mulheres, que tem que conviver, muitas vezes, com assédios vindos de cargos supe- riores. “Preconceitos não estão presentes só no âmbito da força como também na dúvi- da da capacidade da mulher de liderar uma equipe que, em sua maioria, está composta por homens. [...] Muitas vezes, as mulheres conseguem sucesso nas áreas de assistências e, quando querem subir para a direção de uma equipe, não têm as chances necessárias para começarem e se fortalecerem. Acabam ou voltando a serem assistentes ou conseguindo trabalho em projetos com menos orçamento ou de temática feminina”, declara o Coletivo das Diretoras de Fotografia do Brasil. Claudia acrescenta que existe uma ima- gem de que uma mulher produtora e direto- ra é de alguém incisiva e com uma postura agressiva. “Quando você não é assim, você também é cobrado a ser. Com o tempo, você vai mostrando que seu modo de ser e habili- dades também são boas para o trabalho e as pessoas, principalmente os homens, vão res- peitando um pouco mais”, ela conclui. Quebrando os paradigmas Uma forma de mostrar a força da ca- pacidade feminina é divulgando suas produ- ções e aumentando a sua representatividade frente ao mercado. A plataforma de conteúdo Hysteria tem esse objetivo. Idealizada por Renata Brandão, CEO da Conspiração Fil- mes, a plataforma, criada e produzida por mulheres, dá voz ao material audiovisual fe- minino e também abre espaço para narrativas Imagem: Reprodução/ Facebook DAFB O Coletivo DAFB mantém um site contendo o perfil de 234 profissionais de 42 cidades brasileiras, além disso, promove oficinas e eventos 01