Revista Elas nov. 2019 | Página 106

Claudia Paixão já presenciou e foi vítima de preconceitos e discriminações variadas ao longo dos seus 15 anos de carreira Imagem: Acervo pessoal de Claudia Paixão homens. Além de incentivar a entrada de mulheres no mercado temos que entender por quais mecanismos devemos lutar para que as mulheres tenham mais chances de crescer no mercado audiovisual”, enfatiza as membras do DAFB. Um mundo de preconceitos A questão racial também é potenciali- zada nos dados divulgados. Também no re- latório Diversidade de Gênero e Raça nos Lançamentos Brasileiros de 2016, não hou- ve nenhuma mulher negra diretora de lon- gas-metragens lançados comercialmente em 2016. De homens negros, a porcentagem é de, apenas, 2,1%. Indiscutivelmente há uma questão de preconceito envolvida, não só de gênero, mas também social e racial. Claudia Paixão, pro- dutora da TV Unesp, declara que ao longo de seus mais de 15 anos de carreira, já presen- ciou e também foi vítima de preconceitos e discriminações variadas. “No início da car- reira era por ser recém-formada, em outras ocasiões era a questão social, ir trabalhar com um carro velho, enquanto todos tinham carros 1 06 melhores; fora a questão racial que está inter- seccionada com as demais discriminações. Já presenciei assédios e ouvi vários comentários discriminatórios em relação à condição femi- nina”, relata. As pesquisas não oferecem dados sobre a participação de mulheres trans ou indíge- nas. Isso evidencia como há uma somatória de preconceitos que aumenta conforme a mu- lher esteja dentro de um grupo não devida- mente reconhecido pela sociedade. Somos todas capazes Da mesma forma, há uma imagem patriarcal presente nos sets de filmagem de que as mulheres não são tão capazes ou que produzem um material carregado de estereó- tipos. As profissionais que pretendem ocupar os espaços nos bastidores, muitas vezes, pre- cisam mostrar uma competência maior frente a seus colegas do sexo oposto. “Senti isso associado a ser negra. É o peso do perfeccionismo introjetado desde sempre, tirar boas notas, se vestir melhor, ser uma boa profissional para tentar amenizar o preconceito. Tudo muito exaustivo e, com o