Claudia Paixão já presenciou e foi
vítima de preconceitos e discriminações
variadas ao longo dos seus 15 anos de carreira
Imagem: Acervo pessoal de Claudia Paixão
homens. Além de incentivar a entrada de
mulheres no mercado temos que entender por
quais mecanismos devemos lutar para que as
mulheres tenham mais chances de crescer no
mercado audiovisual”, enfatiza as membras
do DAFB.
Um mundo de preconceitos
A questão racial também é potenciali-
zada nos dados divulgados. Também no re-
latório Diversidade de Gênero e Raça nos
Lançamentos Brasileiros de 2016, não hou-
ve nenhuma mulher negra diretora de lon-
gas-metragens lançados comercialmente em
2016. De homens negros, a porcentagem é
de, apenas, 2,1%.
Indiscutivelmente há uma questão de
preconceito envolvida, não só de gênero, mas
também social e racial. Claudia Paixão, pro-
dutora da TV Unesp, declara que ao longo de
seus mais de 15 anos de carreira, já presen-
ciou e também foi vítima de preconceitos e
discriminações variadas. “No início da car-
reira era por ser recém-formada, em outras
ocasiões era a questão social, ir trabalhar com
um carro velho, enquanto todos tinham carros
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melhores; fora a questão racial que está inter-
seccionada com as demais discriminações. Já
presenciei assédios e ouvi vários comentários
discriminatórios em relação à condição femi-
nina”, relata.
As pesquisas não oferecem dados sobre
a participação de mulheres trans ou indíge-
nas. Isso evidencia como há uma somatória
de preconceitos que aumenta conforme a mu-
lher esteja dentro de um grupo não devida-
mente reconhecido pela sociedade.
Somos todas capazes
Da mesma forma, há uma imagem
patriarcal presente nos sets de filmagem de
que as mulheres não são tão capazes ou que
produzem um material carregado de estereó-
tipos. As profissionais que pretendem ocupar
os espaços nos bastidores, muitas vezes, pre-
cisam mostrar uma competência maior frente
a seus colegas do sexo oposto.
“Senti isso associado a ser negra. É
o peso do perfeccionismo introjetado desde
sempre, tirar boas notas, se vestir melhor, ser
uma boa profissional para tentar amenizar o
preconceito. Tudo muito exaustivo e, com o