Revista Elas nov. 2019 | Seite 102

afetados por essas questões, pois se você parar para pensar para ser homem voce não pode chorar, não pode demonstrar afeto, não pode várias coisas que são funções humanas. É um processo de desumanização”, disse Bruno. O mesmo pensamento é compartilhado pelo Bru Vatiero: “O feminismo é essencial para a própria vida do homem. Como o machismo interfere em diversas relações, ou seja, nas relações afetivas, não sendo necessariamente relações sexuais, muitos homens negam a questão emocional por acharem que isso não os torna tão homens e isso tem reflexos psi- cológicos e físicos muito devastadores.” “Para se tornar homem voce precisa deixar de ser humano” Mas, ainda segundo os dois estudantes, apesar do homem poder discutir o feminismo não é algo deliberado e ilimitado. “Quando a gente fala que homens tem que fazer parte do movimento existem limites e são justamente eles não acharem que devem estar à frente do movimento e entender que o movimento não precisa deles enquanto protagonistas.”, alega o futuro jornalista. “Eu acho que no sentido de estar no movimento e construir o movimen- to, não é esse o papel do homem. Mas, de ou- vir esse movimento e engajar nas lutas e nas pautas”, completa o estudante de psicologia. A marca deixada no nascimento deste novo século é, sem dúvida, a construção de uma sociedade que preze pela melhora de vida de todos os habitantes, independente do lugar em que esteja. O acesso a água, co- mida, moradia, segurança, direitos básicos inerentes a qualquer ser humano da Terra e igualdade juntam esforços cada vez maiores. A entrada das mulheres na centralidade de temas fundamentais, no futuro e nos direitos mais básicos assumiram postos de onde não sairão mais, porém, há muito o que se per- correr. “Primeiro as mulheres lutaram por ex- istir, para serem sujeitas da sua história e não precisarem de tutores. É um movimento mui- to complexo, não se pode traçar uma linha linear. Nós vemos hoje que esses movimentos se alargam na América Latina e no Brasil com outros feminismos, que não são mais aqueles de classe média e mulheres brancas, mas um feminismo principalmente de mulheres ne- gras”, analisa a professora. E, sobre o papel que os homens devem assumir para contribuir para uma inclusão cada vez maior das mulheres na sociedade, Lídia complementa “Os homens deveriam ser feministas. Os homens não pensam sobre isso, não conhecem a história do feminismo e tem uma visão muito esteriotipada, com opiniões colocadas no campo da ironia. Os homens se colocaram em uma retaguarda, uma defesa contra o feminismo sem saber do que se trata”. Logo, o futuro não é igualdade, mas sim, o presente. 1 02