Revista Elas nov. 2019 | Page 101

Maria países e regiões. “Aqui no Brasil a questão demorou por conta da monarquia, de 1822 até 89, e quando começa a república o voto feminino era levantado por alguns e não encontrava ressonância. Nas cidades elas começaram a fazer um movimento pelo voto, e devido as disputas das anarquistas e das comunistas isso foi protelado”, complementa a professora. “As mulheres foram colocadas como cidadãs passivas, a própria noção do ser feminino se viu aleijada das participações políticas” Foi com a inserção das mulheres de forma mais acentuada nos mais diversos processos de formação e participação social que algumas perguntas passam a aparecer com frequência, sendo uma delas: “homens podem discutir/debater o feminismo?”. Para Bruno Faria, estudante de psicologia da UNESP Bauru, o feminis- mo em si é um movimento de resistência e de construção política das mulheres. Essencialmente é um movimento forma- do por mulheres, então é um pouco mais difícil dizer se homens podem ou não, mas não é o lugar político do homem es- tar construindo o movimento do qual ele não irá resistir. Bru Vatiero, estudante do 3° de jornalismo e membro do Coleti- vo Feminista AYA, diz que é essencial que homens discutam o feminismo. Não que discutam se é bom ou não. Eles devem entender que o feminismo surge justa- mente de uma opressão de homens em relação as mulheres. Como o machismo é mantido e es- truturado de maneira muito enraizada na sociedade ao longo de séculos, os pró- prios homens acabam por sofrer impac- tos dentro deste modelo hierarquizado que os favorece. “Os homens também são 1 01