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CAPA
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"Nós, MULHERES, estamos todas
no mesmo barco. Ou pelo menos
deveríamos. E quem não está,
SO SORRY, está viajando"
Posicionar-se como mulher e politicamente nas redes faz parte do que você acredita como artista? Pra mim, arte é política. Se tenho o direito de exercer a minha profissão, isso é política. Política é legal, não é "mimimi". É o exercício do nosso ser, do diálogo, da leitura, do pensamento, sabe? Instrumento da nossa cidade, da sua rua, do cinema que você vai ver, do show a que vai assistir, das pessoas em que esbarra. Está em tudo. Não temos como nos distanciar dela.
E se uma opinião, por exemplo, te custar um contrato com uma marca, tudo bem? Tudo. Se estivesse num momento em que precisasse muito de grana, talvez fosse um problema. Mas, para mim, é possível falar certas coisas e me posicionar porque estou contratada. Sei que é um lugar de privilégio e, diante disso, me sinto ainda mais motivada a questionar.
Você é sensível, do tipo que entra num lugar e percebe a energia? Sou. Sinto demais. Hoje, sou feliz assim, mas já me questionei muito. E também acredito que energia a gente recria, atravessa. Não estou passiva ao mundo. Se tem uma coisa acontecendo você pode se colocar, criar alguma outra coisa. Tudo interfere.
Você enfrentou um período de depressão. Ser atriz, poder lidar com sentimentos alheios, ajuda ou atrapalha no processo de encontrar o equilíbrio? Ser atriz me ajudou muito a não ter ficado pior. É uma profissão que considera a diferença, a sua singularidade. Acho que foi muno bom desde pequena trabalhar com arte, ter poesia
como um canal para entender a vida, a dor, o sofrer. A arte me ajudou a nomear uma série de coisas. Sou grata por poder ter acesso a essa sensação e ebulição de sentimentos e conseguir comunicá-la. Fui ao psiquiatra, passei a tomar remédios. Mas, pô, acho que o número de casos é alto, né? A gente vive num espaço em que o excesso é a referência, isso é muito tóxico. Em tudo você tem que ser interessante e a vida às vezes é mais ou menos. Tem dias que você não fala uma coisa genial e tudo bem. Talvez a gente também tenha que a abrir espaço para que o banal exista.
Como você cuida da parte emocional/psicológica/ espiritual? Faço análise freudiana há uma década com a mesma pessoa. Me converti ao budismo há quatro anos e sou muito feliz de ter descoberto essa maneira de ver o a mundo. Para nós, budistas, a oração é muito poderosa, pois ativa o seu melhor potencial. Eleva o estado de vida e, por isso, toma a paz mundial algo concreto mesmo para a gente. Do ponto de vista pessoal, acho que o Michel [Melamed, ator, com quem Leticia namora há três anos] veio muito dai. Consegui equilibrar o que eu estava querendo com o que estava, de fato, vivendo.
E o papel do Michel nisso tudo, hein?Fundamental! A gente compartilha muito sobre trabalho, vida, tudo. Ele é maravilhoso, me acolhe, me entende. Sei lá, tem muitas qualidades. É um encontro mesmo, um encaixe perigoso. É muito bom chegar em casa e me aninhar no colo dele.