em alguma coisa no jeito de Leticia Colin
Que ano foi esse que passou, hein? Tudo mudou para você? Foi super, demais, demais! Pela primeira vez me senti muito fluida em um trabalho. Estava me ouvindo, confiando na intuição, me divertindo e sentindo livre. Em um ano politicamente difícil, tão raivoso, fiz uma garota de programa de quem as pessoas gostavam. E há tanto preconceito e hipocrisia em cima desse signo, né? É um mérito fazer sucesso com uma personagem prostituta, que tem toda essa questão moral... Ultimamente as pessoas querem resolver tudo pela moral, sem falar de política, saúde pública, educação no País. Nesse ponto a Rosa foi muito transgressora. Fico muito orgulhosa..
Acha que seu trabalho é transformar, fazer a diferença no mundo? Sim. É muito forte poder trazer conexão com a vida, com o que é sensível, o que é sutil, o que importa. É presunçoso da minha parte também, né? Mas tudo bem. Acho que cabe a nós sermos sonhadores e pensarmos grande. Me deixa sonhar também, não enche meu saco! [risos]. Me deixa viajar e achar que vou mudar o mundo com uma personagem.
O que Rosa te ensinou sobre a liberdade do corpo feminino? Ela me fez conhecer ainda mais sobre o assunto e entender linhas tão diferentes do feminismo: há quem defenda que a mulher pode e deve trabalhar com o corpo, e quem seja contra, porque há um machismo de vender algo para o homem. Eu terminei sem respostas quanto a isso.
E quanto à nudez? Não acho que a mulher para se empoderar tenha que mostrar o peito. Mas isso também pode iniciar uma discussão que não existia antes. Não cabe julgamento. Deixa as pessoas serem! Cada um tem o seu movimento de libertação. Sou a favor de que cada uma de nós lute pelo que acredita da forma que pode e quer. Estamos todas no mesmo barco. Ou pelo menos deveríamos. E quem não está, so sorry, está viajando. Precisamos aproveitar que estamos sendo ouvidas.
que traz cabeça os versos de "Consolação", música bonita da bossa nova composta por Baden Powell. 'E se não tivesse o amor? E se não tivesse essa dor? E se não tivesse o sofrer? E se não tivesse o chorar?". Se não tivesse tudo isso, aos 29 anos, a atriz não teria nos brindado com uma atuação tão arrebatadora no último ano. Na pele da prostituta Rosa, da novela global Segundo Sol, deu um tapa na cara da sociedade ao abordar conservadorismo, injustiça social, feminismo e liberdade com leveza e humor. "Foi muito bom viver isso em um ano tão difícil como 2018, em que estávamos nos sentindo agredidos, imersos em discursos de tanta raiva", desabafa. "Conseguir criar empatia por uma personagem tão livre sexualmente em tempos de tanto moralismo é subversivo, transgressor. E isso me interessa profundamente." A bem da verdade, se não fossem o amor, a dor, o sofrer e o chorar, Leticia nem sairia de casa. Ela é toda sentimentos, consciência de si e do mundo, perseverança e gratidão. Nascida em Santo André, no ABC paulista, é a caçula temporona de quatro filhos. Mudou-se coma mãe para o Rio de Janeiro aos 12, já para ser atriz. Começou na série Sandy & Junior, participou do musical Florizbella, na Band, fez Malhação, cinco novelas na Record, e protagonizou o longa Bonitinha mas Ordinária(a maior polêmica lá em 2010), baseado na obra de Nelson Rodrigues. Voltou para a Globo, fez outras novelas e séries, mais novelas até que...Páh, estourou! "Ah, claro que desejava isso. Poder atingir mais gente é lindo, uma uma sorte", afirma. "Mas assim, já tive vários sonhos, abri ão deles, os encontrei de novo... A vida é isso." É, sim, Leticia, E apaixonante pela sua ótica. A prova, aqui:
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