Revista de Medicina Desportiva Informa Julho 2012 - Page 27

· Adaptação cardiovascular . O débito cardíaco aumenta 30-50 %, a frequência cardíaca aumenta 20 % e a pressão arterial média diminui 5-10 mmHg 9 , 10 .
· Fluxo sanguíneo uterino . No início da gravidez o útero recebe 3-6 % do débito cardíaco e no final da gestação essa proporção aproxima-se dos 12 % 8 , 11 .
· Aparelho respiratório . O aumento uterino provoca deslocamento cefálico do diafragma , o que conduz a aumento da circunferência do tórax , levando a aumento da capacidade inspiratória e diminuição do volume residual funcional 9 . A frequência respiratória durante uma atividade física moderada está aumentada 12 .
· Aporte calórico . Para o peso corporal com IMC 20-28 kg / m 2 são necessárias mais 300 kcal / dia após o primeiro trimestre , 390 kcal / dia entre as 20-30 semanas e 250 kcal / dia entre as 30-40 semanas de gestação 13 . A taxa de utilização de carboidratos , tanto em repouso como durante o exercício , é maior na grávida 14 .
Recomendações de exercício físico durante a gravidez
A avaliação clínica completa da mulher grávida deve ser realizada antes de se recomendar um programa de exercício . Fatores a serem considerados incluem a idade , condição física , fatores de risco para doença cardíaca coronária , história ortopédica e riscos músculo-esqueléticos , antecedentes de doença pulmonar , uso de medicação crónica , passado obstétrico e eventuais riscos na gestação atual .
Apesar das recomendações para a prática de exercício físico durante a gravidez , são várias as situações obstétricas que o contraindicam ( Tabela 1 ). O exercício físico deve terminar imediatamente se ocorrer sangramento vaginal , dispneia ou contrações uterinas ( Tabela 2 ), devendo a grávida em questão ser observada por um médico obstetra .
O exercício físico dentro de água deve ser recomendado . Durante a imersão a força centrípeta provoca diminuição da resistência vascular periférica e desta forma diminuição da pressão arterial . A carga sobre as articulações está diminuída , o calor do corpo é facilmente dissipado e o risco de desequilíbrio e queda é menor 4 .
A única atividade que geralmente não é recomendada durante a gravidez é o mergulho em profundidade porque o feto tem risco aumentado de doença de descompressão secundária à imaturidade do tecido pulmonar 7 , 15 . Não é aconselhado realizar exercício físico em locais de altitude superiores a 2500 m , sem prévia adaptação , devido à rarefação do ar ( menor disponibilidade de oxigénio ) 16 , 17 . Atividades com elevado risco de queda ou trauma abdominal e desportos radicais devem ser evitados 3 . Exercícios na posição supina não são aconselhados devido à compressão aorto-cava pelo útero 6 .
Paula Radcliffe , maratonista britânica que detém o recorde mundial da maratona feminina ( 2:15:25 , Londres 2003 ), correu ao longo das suas 2 gestações . Quando Isla nasceu , em Janeiro de 2007 , Paula correu no dia anterior ao parto e 12 dias após recomeçou os treinos . Venceu a Maratona de Nova Iorque em 2007 apenas 10 meses após o parto .
Potenciais riscos do exercício físico na gravidez
· Frequência cardíaca fetal ( FCF ). O exercício materno está geralmente associada a aumento da FCF de 10 a 30 batimentos por minuto 9 , mas não é um preditor de sofrimento fetal 28 . Pode ocorrer bradicardia fetal 18 , 19 , embora outros estudos tenham demonstrado que a bradicardia fetal é um artefacto 20 . www . rodofolucena . folha . blog . uol . com . br
· Hipertermia . Estudos mais antigos demonstram efeito teratogénico da hipertermia em animais 21 , 22 . Contudo , até hoje não há evidência desse efeito com o exercício físico 23 .
· Conceção e 1 .º trimestre . Clapp demonstrou que grávidas com programas de exercício físico intenso nas primeiras 20 semanas de gestação não têm risco acrescido de abortos espontâneos , malformações congénitas , gravidez ectópica ou distúrbios placentares 24 .
· Trabalho de parto prematuro e rotura de membranas . Não há evidência clínica de que a continuação da atividade desportiva aumente a incidência de trabalho de parto antes das 37 semanas ou de rotura prematura de membranas 24 , 27 . Contudo , em 70 % das grávidas de termo que mantiveram atividade física intensa no 3 .º trimestre o parto ocorre antes da data provável de parto 28 . Curiosamente há alguma evidência de que o exercício físico intenso no primeiro e segundo trimestres esteja associado a menor risco de parto pré-termo 29 , 30 .
· Baixo peso ao nascer . Leet et al demonstraram que atletas que realizam exercício físico intenso (> 6 x por semana , durante > 1 hora por sessão ) no terceiro trimestre da gravidez tiveram recém-nascidos com menos 212 g de peso que os sujeitos menos ativos (> 3 x por semana para 30 minutos por sessão durante 10 semanas ) e menos 433 g que os controlos sedentários 31 . Uma diminuição de 200-400 g é inferior a 500 g , a qual corresponde à diferença entre os percentis 50 e 10 . Diminuições abaixo do percentil 10 não foram demonstradas 32 . O baixo peso ao nascer tem sido atribuído à diminuição da massa gorda neonatal ( aproximadamente 220 g ) e a menos cinco dias na idade gestacional ( aproximadamente 100 g ) 28 . O perímetro cefálico e o comprimento não são afetados . Há menor risco de macrossomia ( percentil > 90 %) em grávidas que realizam exercício físico 33 .
Gravidez em atletas de alta competição
A realização de exercício físico moderado não põe em risco o
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periférica e desta forma diminuição da pressão arterial. A carga sobre as articulações está diminuída, o calor do corpo é facilmente dissipado e o risco de desequilíbrio e queda é menor4. A única atividade que geralmente não é recomendada durante a gravidez é o mergulho em profundidade porque o feto tem risco aumentado de doença de descompressão secundária à imaturidade do tecido pulmonar7,15. Não é aconselhado realizar exercício físico em locais de altitude superiores a 2500 m, sem prévia adaptação, devido à rarefação do ar (menor disponibilidade de oxigénio)16,17. Atividades com elevado risco de queda ou trauma abdominal e desportos radicais devem ser evitados3. Exercícios na posição supina não são aconselhados devido à compressão aorto-cava pelo útero6. www.rodofolucena.folha.blog.uol.com.br · Adaptação cardiovascular. O débito cardíaco aumenta 30-50%, a frequência cardíaca aumenta 20% e a pressão arterial média diminui 5-10 mmHg9,10. · Fluxo sanguíneo uterino. No início da gravidez o útero recebe 3-6% do débito cardíaco e no final da gestação essa proporção aproxima-se dos 12%8,11. · Aparelho respiratório. O aumento uterino provoca deslocamento cefálico do diafragma, o que conduz a aumento da circunferência do tórax, levando a aumento da capacidade inspiratória e diminuição do volume residual funcional9. A frequência respiratória durante uma atividade física moderada está aumentada12. · Aporte calórico. Para o peso corporal com IMC 20-28 kg/m2 são necessárias mais 300 kcal/dia após o primeiro trimestre, 390 kcal/dia entre as 20-30 semanas e 250 kcal/dia entre as 30-40 semanas de gestação13. A taxa de utilização de carboidratos, tanto em repouso como durante o exercício, é maior na grávida14. Recomendações de exercício físico durante a gravidez A avaliação clínica completa da mulher grávida deve ser realizada antes de se recomendar um programa de exercício. Fatores a serem considerados incluem a idade, condição física, fatores de risco para doença cardíaca coronária, história ortopédica e riscos músculo-esqueléticos, antecedentes de doen