Revista de Medicina Desportiva Informa Janeiro 2018 - Page 20

Bibliografia
1 . NOGG 2017 : Clinical guideline for the prevention and treatment of osteoporosis , Archives of Osteoporosis . 2017 ; http :// link . springer . com / article / 10.1007 / s11657-017-0324-5 ).
2 . Andréa Marques , Ana M . Rodrigues , José Carlos Romeu , et al . Recomendações multidisciplinares portuguesas sobre o pedido de DXA e indicação de tratamento de prevenção das fraturas de fragilidade . Rev Port Med Geral Fam 2016 ; 32:425-41 .
3 . Prescrição da Osteodensitometria na Osteoporose do Adulto , Direção Geral da Saúde , 2010 .
4 . Tratamento Farmacológico da Osteoporose Pós- -menopáusica , Direção Geral da Saúde , 2011 .
Prevenção da osteoporose na criança
Dra . Ana Luísa Leite Médica pediátrica . Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia- Espinho , EPE .
A osteoporose é uma doença crónica e “ silenciosa ” caracterizada pelo aumento da fragilidade óssea . É considerada pela Organização Mundial de Saúde uma causa major de morbilidade e gasto económico . Embora tipicamente associada ao envelhecimento , a osteoporose tem a sua origem na infância e pode afetar crianças e adolescentes . De facto , a massa óssea ( MO ) atingida precocemente na vida parece ser o determinante modificável mais importante para a saúde do esqueleto . 1 Assim , a prevenção da doença deve iniciar-se nas consultas de saúde infantil e juvenil .
O osso é uma estrutura metabolicamente ativa que se encontra em constante remodelação . O processo de mineralização inicia-se in utero e , posteriormente , a composição mineral óssea vai aumentar cerca de 40 vezes do nascimento à idade adulta . 2 4 Após a terceira década de vida , ocorre um declínio lento mas progressivo da massa óssea . 5 Logo , mesmo após a paragem do crescimento linear , o osso mantém-se constantemente sob remodelação , sendo fundamentais a regulação por citocinas locais , a paratormona ( PTH ), a 1,25-hidroxivitamina D ( 1,25-D2-D ), a IGF-1 e a calcitonina .
A matriz óssea é determinada por diferentes fatores , dos quais alguns não são modificáveis , como
a genética , o sexo , a raça e doenças crónicas concomitantes , e outros são passíveis de modificação . É atuando sobre estes fatores modificáveis que nos é possível intervir em termos de prevenção da osteoporose ( Tabela 1 ). 6
Fundamentos para a prevenção primária da saúde óssea / ação sobre os fatores modificáveis mais comuns :
I ) Nutrição
• Cálcio O cálcio é absorvido por transporte ativo e passivo via intestinal , sob regulação pela vitamina D , e 99 % do cálcio corporal encontra-se no osso . 6 Logo , na formação de um osso saudável é determinante que se atinjam os requerimentos diários necessários deste ião . Na primeira infância os requerimentos de cálcio ( 800 mg / d ) são facilmente atingíveis , no entanto , na adolescência os 1300mg / d necessários tornam-se mais difíceis de conseguir , em particular por conceitos erróneos de que os lacticínios são mais calóricos , a preferência por bebidas de soja ou sumos / refrigerantes e de uma dieta pobre em legumes e fruta . 1 , 7 A recomendação da Academia Americana de Pediatria ( AAP ) centra-se na necessidade de promover hábitos alimentares saudáveis e ricos em laticínios nesta faixa etária , já que os benefícios da suplementação com cálcio não são inequívocos . 7
• Vitamina D A vitamina D é obtida essencialmente por síntese cutânea após exposição à radiação UVB na faixa dos 290-315nm e , por isso , está
Tabela 1 . Fatores que afetam a massa óssea Modificáveis
Não-modificáveis
Nutrição Cálcio Vitamina D Sódio Refrigerantes Exercício e estilo de vida Agentes terapêuticos Glicocorticoides sistémicos Metotrexato Ciclosporina Heparina Antiepiléticos ( fenobarbital , fenitoína , carbamazepina ) Radioterapia Peso e composição corporal Estado hormonal dependente da latitude , da hora do dia e da estação do ano , da pigmentação da pele e da utilização de protetor solar . Os níveis recomendados diários de vitamina D foram em 2011 revistos em alta pelo Institute of Medicine e pela AAP ( Dose diária recomendada < 12M : 400IU / d ; 1A-18A : 600IU / d ). 7 A deficiência de vitamina D em crianças pequenas (< 18M ) resulta em raquitismo e em idades mais velhas , adolescência e idade adulta , resulta num risco aumentado de fratura . Muito dependente do estilo de vida atual tem sido documentada uma prevalência crescente de crianças e adolescentes com deficiência de vitamina D . Os fatores de risco mais conhecidos são : residir em países nórdicos , pele escura , a exposição inadequada à luz solar mesmo em países solarengos , uso de protetor solar e fármacos que aumentam os requerimentos em vitamina D ( antiepiléticos , glicocorticoides e antirretrovirais ). A exposição solar recomendada para promover a síntese de vitamina D refere-se à exposição de braços e pernas por 5-15 minutos ( até provocar um eritema cutâneo mínimo ), 2 a 3 vezes por semana . A síntese máxima ocorre entre as 10 e as 15 horas na primavera , verão e outono . 9 As fontes alimentares de vitamina D são reduzidas , contudo , o óleo de fígado de bacalhau , os peixes gordos ( ex . sardinha , salmão e atum ) e os alimentos fortificados podem ser boas opções . A suplementação oral com vitamina D é considerada universal no 1 .º ano de vida , em especial em lactentes
Genética Sexo Raça Osteoporose primária Osteogenese imperfeita Síndrome osteoporose pseudoganglioma Osteoporose juvenil idiopática
Patologias crónicas Auto-inflamatórias Com consequente redução da mobilidade ( por exemplo , paralisia cerebral , distrofias musculares , etc .) Insuficiência renal crónica
18 janeiro 2018 www . revdesportiva . pt
Bibliografia 1. NOGG 2017: Clinical guideline for the preven- tion and treatment of osteoporosis, Archives of Osteoporosis. 2017; http://link.springer.com/ article/10.1007/ s11657-017-0324-5). 2. Andréa Marques, Ana M. Rodrigues, José Carlos Romeu, et al. Recomendações multidis- ciplinares portuguesas sobre o pedido de DXA e indicação de tratamento de prevenção das fraturas de fragilidade. Rev Port Med Geral Fam 2016; 32:425-41. 3. Prescrição da Osteodensitometria na Osteopo- rose do Adulto, Direção Geral da Saúde, 2010. 4. Tratamento Farmacológico da Osteoporose Pós- -menopáusica, Direção Geral da Saúde, 2011. Prevenção da osteoporose na criança Dra. Ana Luísa Leite Médica pediátrica. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia- Espinho, EPE. A osteoporose é uma doença cró- nica e “silenciosa” caracterizada pelo aumento da fragilidade óssea. É considerada pela Organização Mundial de Saúde uma causa major de morbilidade e gasto económico. Embora tipicamente associada ao envelhecimento, a osteoporose tem a sua origem na infância e pode afetar crianças e adolescentes. De facto, a massa óssea (MO) atingida precocemente na vida parece ser o determinante modificável mais importante para a saúde do esque- leto. 1 Assim, a prevenção da doença deve iniciar-se nas consultas de saúde infantil e juvenil. O osso é uma estrutura metaboli- camente ativa que se encontra em constante remodelação. O processo de mineralização inicia-se in utero e, posteriormente, a composição mineral óssea vai aumentar cerca de 40 vezes do nascimento à idade adulta. 2–4 Após a terceira década de vida, ocorre um declínio lento mas progressivo da massa óssea. 5 Logo, mesmo após a paragem do cres- cimento linear, o osso mantém-se constantemente sob remodelação, sendo fundamentais a regulação por citocinas locais, a paratormona (PTH), a 1,25-hidroxivitamina D (1,25-D2-D), a IGF-1 e a calcitonina. A matriz óssea é determinada por diferentes fatores, dos quais alguns não são modificáveis, como 18 janeiro 2018 www.revdesportiva.pt a genética, o sexo, a raça e doenças crónicas concomitantes, e outros são passíveis de modificação. É atuando sobre estes fatores modi- ficáveis que nos é possível intervir em termos de prevenção da osteo- porose (Tabela 1). 6 Fundamentos p Ʉɕٕ)ɥɥ͇鑔͕ͽɔ)́ѽɕٕ́́́չ)$9ɧ+$)<ͽ٥ȁɅє)ѥټͥټ٥ѕѥͽ)ɕձ٥х)ɅɄ͔)ͼ؁1ɵմ)ͼͅՓٕѕɵєՔ)͔ѥ́ɕՕɥѽ́)ɥ́ɥ́є9ɤ)Ʉ́ɕՕɥѽ)є)ѥٕ̰хѼ̴)̀ɥ)ѽɹ͔͔́́)եȰѥձȁȁѽ)͹́Ք́ѥ́)́ɥ̰ɕ)́ͽԁյ̽ɕɥ)Ʌѕ́յфɔ)յ́фİ܁ ɕ)ɥ)Aɥ@Ʉ͔)ͥɽٕȁѽ)хɕ́ͅՓٕ́ɥ́)ѥ́фᄁɥՔ)́́ч)ٽ̸+$Yх)٥хѥ͕)єȁѕ͔)ͧɅUY)̀չȁͼ)єѥՑɄ)ч)чѥ)ɽѕѽȁͽȸ=ٕ́)ɕ́ɥ́٥х)Ʌāɕ٥ѽ́ф)%ѥє5)@͔ɥɕ(4%T%T)٥х)ɥ́Օ̀4ɕձф)Ʌեѥ͵́)ٕ̰͏)ձфɕձфմɥ͍յ)хɅɄ)5եѼєѥ٥)Յѕͥյхյ)ɕمɕ͍єɥ)͍ѕ́)٥х=́ѽɕ́ɥ͍)́́ɕͥȁ)͕́ɑ̰͍Ʉ)ͧՅͽ)͵͕́ͽɕ̰ͼ)ɽѕѽȁͽȁɵ́Ք)յх́ɕՕɥѽ́)٥хѥѥ̰)ѥ́ѥɕɽ٥Ʌ̤)ͧͽȁɕɄ)ɽٕȁѕ͔٥х)ɕɔ͔ͧɇ)ɹ́ȀԴԁѽ̀)ɽٽȁմɥѕ)ȁٕ́́ȁ͕)ѕ͔᥵ɔɔ)̀̀ԁɅ́ɥٕɄ)ٕѽ)́ѕ́хɕ́٥х)ɕ饑̰Ցͱ)԰́)ɑ̀กͅɑͅ)մ́ѽ́ѥ)͕ȁ́Օ̸)чɅ٥х)ͥɅչٕͅĻ 聅)٥ѕѕ)Qĸѽɕ́Քх͕̈́)5ٕ́;ٕ)9ɧ))Yх)O͑)IɥɅѕ)ɏѥ٥)ѕ́ѕɅѥ)ѥ́ͥ)5ѽɕѼ) ɥ)!ɥ)ѥѥ̀ɉхѿ)ɉ)IѕɅ)AͼͧɅ)хɵѥ)M)I)=ѕɽ͔ɥɥ)=ѕ͔əф)Oɽѕɽ͔͕Ց)=ѕɽ͔ٕѥ)Aѽ́͹)Ѽɥ) ͕Օєɕ(ȁᕵɅͥɕɅɽ)͍ձɕ̰ь)%ՙɕ͹